Amparado por habeas corpus, João Mansur não responde sobre ligação com fraudes do Master
A CPI do Crime Organizado recebeu nesta terça-feira (11) o ex-presidente da Reag Investimentos, João Mansur. Amparado por habeas corpus, ele não respondeu a questionamentos sobre investigações que correm contra ele, frutos das operações "Carbono Oculto" e "Compliance Zero", da Polícia Federal. A CPI aprovou 27 requerimentos, entre eles, pedido de informações ao STF sobre o caso Master e a convocação de Vladimir Timerman, conhecido como "X9 da Faria Lima", por denunciar fraudes no mercado de capitais.

Transcrição
O ex-presidente do Conselho de Administração da Reag Investimentos, João Falbo Mansur, chegou à CPI do Crime Organizado amparado por habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, o que lhe garantiu o direito de não responder perguntas capazes de incriminá-lo. A empresa de Mansur geria fundos de investimentos e foi alvo de duas operações da Polícia Federal: a "Carbono Oculto", que trouxe à tona um esquema de fraudes bilionárias no setor de combustíveis para lavagem de dinheiro do PCC; e a "Compliance Zero", que investiga crimes envolvendo o Banco Master. A instituição financeira era cliente da empresa de Mansur.
Na CPI, o empresário respondeu somente a perguntas gerais do relator, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, sobre o funcionamento dos fundos. Chegou, no entanto, a esboçar uma defesa ao afastar a Reag da responsabilidade direta sobre os fundos que administra e ao mencionar a fiscalização de órgãos de controle, como a Comissão de Valores Mobiliários, CVM:
(João Falbo Mansur) "Um fundo é um condomínio, ele é como se fosse um prédio. O administrador é a imobiliária que administra o prédio. O gestor é o síndico que cumpre o regulamento do condomínio e os donos do fundo são os donos do prédio. Os administradores são fiscalizados diariamente pela CVM de forma automática. Os órgãos de controle do mercado de capitais e do mercado financeiro são muito competentes, senador."
(senador Alessandro Vieira) "Ainda assim, por esse canal, passaram alguns bilhões de dinheiro sujo."
Na reunião desta terça, a CPI também aprovou 27 requerimentos, entre eles, pedido ao relator do caso Banco Master no Supremo, o ministro André Mendonça, para que a comissão parlamentar de inquérito tenha acesso a provas colhidas nas investigações. Também foi aprovada a convocação do fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, para prestar depoimento na condição de testemunha. Timerman ganhou o apelido de "X9 da Faria Lima", pelas denúncias feitas, inclusive por meio de redes sociais, sobre irregularidades no mercado de capitais. Sua vinda ao Senado ainda não tem data marcada. Convidado para falar à CPI nesta terça para tratar da atuação de organizações criminosas em seu estado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, não veio ao Senado e não mandou representante. Da Rádio Senado, Marcela Diniz.

