Chanceler Mauro Vieira deve falar aos senadores sobre guerra no Oriente Médio
A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) vai ouvir o chanceler Mauro Vieira sobre a guerra no Oriente Médio. A reunião está marcada para o dia 18 de março. Os senadores demonstraram preocupação com a situação de brasileiros na região, os impactos humanitários do conflito e os efeitos econômicos da crise, como a alta nos preços do petróleo, fretes e fertilizantes. O convite ao ministro foi aprovado para que o Itamaraty explique a posição oficial sobre o conflito do governo e as medidas adotadas.

Transcrição
A Comissão de Relações Exteriores vai ouvir o chanceler Mauro Vieira sobre os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e os efeitos do conflito tanto para os brasileiros na região quanto para setores estratégicos da economia brasileira.
O presidente do colegiado, senador Nelsinho Trad, do PSD de Mato Grosso do Sul, relatou a preocupação com a escalada das hostilidades, especialmente pelos impactos sobre civis, aeroportos, portos, refinarias e outras infraestruturas estratégicas.
Trad também chamou atenção para os brasileiros que estariam retidos em países da região e para a necessidade de o governo apresentar, com clareza, as medidas adotadas até agora.
(senador Nelsinho Trad) "A posição do governo brasileiro em função das demandas que nós temos recebido, não só de brasileiros que estão lá, que estão retidos sem conseguir voltar pro país, mas também em relação a esse conflito que está se estendendo pro lado econômico. O preço do barril de petróleo já disparou. Isso vai refletir no aumento de gasolina, de óleo diesel, de gás, de fertilizantes e isso é preocupante para a sociedade brasileira".
Nelsinho Trad compartilhou os relatos de uma reunião com embaixadores de países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, em que descreveram o impacto de ataques a infraestruturas civis na região e pediram que o Senado brasileiro aprovasse uma condenação oficial às hostilidades.
Mas o senador Esperidião Amin, do Progressistas de Santa Catarina, afirmou que a comissão não deve se precipitar nem assumir um lado no conflito, mas buscar informações oficiais sobre a situação dos brasileiros e sobre a condução da política externa.
Já a senadora Tereza Cristina, do Progressistas de Mato Grosso do Sul, alertou para os reflexos econômicos da guerra, que podem pressionar os preços do petróleo, encarecer fretes e comprometer cadeias essenciais para o comércio internacional.
(senadora Tereza Cristina) "Nos contar exatamente o que é que o Governo está vendo, qual é a posição do Governo brasileiro, que para mim ainda não está muito clara, é muito tímida. Então, nada melhor do que o nosso Chanceler, e eu sei que ele anda muito ocupado. E a gente viu que o barril de petróleo saiu de US$63 e foi para US$120, e agora deu uma recuadinha, quando houve aí uma fala do Presidente americano dizendo que a guerra não vai demorar mais tanto tempo. Mas o que é demorar tanto tempo?"
O senador Laércio Oliveira, do Progressistas de Sergipe, também chamou atenção para a dependência brasileira de fertilizantes importados e cobrou que o Brasil aprove com urgência a Política Nacional de Fertilizantes. Para ele, o conflito expõe a vulnerabilidade do país em cadeias estratégicas para a produção agrícola. O senador Laércio também destacou o impacto direto que o aumento dos custos logísticos já causa nos produtores brasileiros.
Da Rádio Senado, Marcella Cunha

