Relator da CPI do Crime Organizado diz que prisão de banqueiro reforça as investigações na comissão
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), avalia que a segunda prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fortalece as investigações do colegiado. Ele citou que a revelação de uma milícia privada do banqueiro que ameaçava concorrentes e jornalistas, acessava dados sigilosos e mantinha contato com ministros do Supremo Tribunal Federal e com alto escalão do Banco Central reforça as conexões com o crime organizado.

Transcrição
Os integrantes da CPI do Crime Organizado deverão votar na quarta-feira requerimentos de convocação, quebra de sigilos e acesso às informações do caso do Banco Master em poder do Supremo Tribunal Federal e da Polícia Federal.
Entre as movimentações bancárias e dados telefônicos e telemáticos solicitados estão os de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e de integrantes de uma milícia privada.
O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, afirmou que a prisão dos dois e a revelação da chamada Turma do Vorcaro, que movimentava dinheiro, acessava dados sigilosos, ameaçava concorrentes e jornalistas, e ainda tinha contatos com ministros do Supremo, políticos e com o alto escalão do Banco Central reforçam as investigações sobre o esquema criminoso do banqueiro.
(senador Alessandro Vieira) "Na verdade, ela acelera porque mostra a importância do que a gente está fazendo e comprova para quem tinha dúvidas de que a gente está lidando com crime organizado, com pessoas muito violentas, muito poderosas, muito ricas. Os documentos das quebras de sigilo estão chegando à CPI e a gente espera um esforço concentrado aqui para análise para que ele possa entregar para o Brasil um retrato dessa realidade".
Os senadores da CPI do Crime Organizado também querem convocar o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio de Souza, e o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, Bellini Santana, que acobertaram Daniel Vorcaro. Os dois servidores já estão afastados.
Também deverão ser ouvidos os integrantes da milícia de Vorcaro, entre eles, a secretária Ana Claudia Paiva, operadora financeira, e o policial federal aposentado Marilson da Silva.
Apesar da convocação já aprovada, Alessandro Vieira não acredita que Daniel Vorcaro compareça à CPI do Crime Organizado.
(senador Alessandro Vieira) "Não, ninguém pode esperar que um criminoso como esse vai sentar numa cadeira e falar a verdade para o Brasil. Ele usa isso ou tenta usar isso como a estratégia de defesa. É um direito dele. O trabalho de investigação verdadeiro é quebra de sigilo e oitiva de testemunhas. A gente vai avançar nesse sentido".
Um grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos também investiga as fraudes do Banco Master, que teve as operações encerradas em novembro do ano passado por determinação do Banco Central.
Antes da segunda prisão, Daniel Vorcaro havia sinalizado que compareceria ao Senado no dia 10.
Os integrantes da CAE já solicitaram ao Banco Central, ao Supremo, à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas da União acesso às informações referentes ao Banco Master. Da Rádio Senado, Hérica Christian.

