Iniciativas da sociedade buscam dar mais transparência aos gastos públicos — Rádio Senado
Controle social

Iniciativas da sociedade buscam dar mais transparência aos gastos públicos

Apesar dos avanços nos mecanismos que conferem transparência aos gastos públicos, há desafios ao pleno acompanhamento da execução das políticas públicas por parte da sociedade. Para preencher essa lacuna, organizações da sociedade civil como a Transparência Brasil e o projeto Contas Abertas, têm trabalhado para organizar e traduzir as bases de dados do governo.

02/03/2026, 19h28 - atualizado em 02/03/2026, 19h34
Duração de áudio: 02:46
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Transcrição
Apesar dos avanços nos mecanismos que conferem transparência aos gastos públicos, as dimensões continentais do Brasil e a descentralização da aplicação dos recursos ainda representam grandes desafios ao pleno acompanhamento da execução das políticas públicas por parte da sociedade. Para preencher essa lacuna, organizações da sociedade civil como a Transparência Brasil e o projeto Contas Abertas, têm trabalhado para organizar e traduzir as bases de dados do governo. Uma das iniciativas é o Tá de Pé, aplicativo que permite ao cidadão enviar fotos de obras inacabadas para uma posterior cobrança ao governo responsável. O objetivo dessa rede de fiscalização é garantir que o cidadão exerça de maneira efetiva a sua principal forma de controle, o democrático, exercido por meio das eleições. O consultor de orçamentos do Senado Federal, Fernando Moutinho, destacou a importância do papel exercido por essas associações. Os dois mecanismos são uma rede, né? O controle social tá mais presente em mais lugares, tem mais capilaridade, levanta os alarmes, levanta o alarme de incêndio. Mas tem que vir o bombeiro e esse bombeiro é o controle institucional. Então os dois têm que existir.   O princípio da publicidade, presente na Constituição Federeal e em normas como a Lei de Acesso à Informação, ainda carece de meios para funcionar de maneira plena. Em um mundo com disponibilidade de informações tão abundante, a discussão, agora, não é o que divulgar, mas como divulgar. Os dados precisam ser compreensíveis, não só divulgados. Nesse sentido, Moutinho explicou o fenômeno conhecido como "afogamento de dados". Tem aquele fenômeno do "afogamento em dados". Eu abro todos os dados, mas, como hoje o universo da informação é gigantesco, a pessoa individualmente vai ter dificuldade nisso. Então, de fato, uma alavanca que tem sido usada pela Transparência Brasil, Central das Emendas, que é uma iniciativa, também, parceira é essa estruturação dos dados de uma forma mais inteligível. Na opinião do consultor, porém, a atuação da sociedade civil organizada não dispensa a fiscalização estatal, exercida, principalmente, pelo poder legislativo com o auxílio dos tribunais de contas. Não é uma bala de prata, ele tem que atuar em conjunto com o controle formal. Por quê? O cidadão não tem o poder sancionatório, né?  Então a intervenção com a força para  punir, paralisar, evitar alguma situação irregular. O cidadão em si, em geral não tem essa essa força, tá? Mesmo organizado, mesmo se manifestando. O Senado Federal disponibiliza o SIGA Brasil, sistema que permite acesso amplo a bases de dados de planos e orçamentos públicos de maneira integrada. Da Rádio Senado, Douglas Castilho.

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