Remarcada para quinta-feira condução coercitiva de advogado suspeito de irregularidades
A CPMI do INSS adiou para quinta-feira (5) os depoimentos do advogado Cecílio Galvão, localizado pela PF sob suspeita de receber R$ 4 milhões indevidos, e do presidente da Dataprev. Na sessão de segunda-feira (2), a ex-secretária do "Careca do INSS" compareceu, mas permaneceu em silêncio amparada por habeas corpus. Confira a reportagem do jornalista José Carlos Oliveira, da Rádio Câmara.

Transcrição
A CPMI do INSS adiou o depoimento do advogado Cecílio Galvão, acusado de receber cerca de R$ 4 milhões de entidades envolvidas em descontos indevidos de aposentados e pensionistas. Ele só foi localizado em São Paulo pela Polícia Federal, nesta segunda-feira, mesmo dia da audiência prevista para Brasília. A defesa do advogado chegou a pedir dispensa do depoimento, sob a alegação de sigilo profissional, mas o presidente da comissão, senador Carlos Viana, do Podemos de Minas Gerais, negou o pedido.
“Há manifesto intuito protelatório do depoente e desrespeito às prerrogativas desta comissão. Assim, fica mantida a convocação do senhor Cecílio Galvão e a condução coercitiva para a próxima quinta-feira.
Também foi remarcado para quinta-feira o depoimento do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção. Ele deveria comparecer à CPMI nesta segunda-feira, mas solicitou adiamento devido a uma viagem à Índia.
Já Aline Cabral, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” e principal investigado, compareceu à CPMI amparada por habeas-corpus. Ela não concordou em firmar o compromisso de dizer a verdade. Disse que trabalhou em empresas de Camilo Antunes entre 2023 e 2025 e se recusou a responder as perguntas mais diretamente ligadas à investigação.
“O Sr. António não tinha o hábito de compartilhar os detalhes de agendamentos de reuniões e assuntos tratados. Considerando que há investigações em curso sobre os fatos tratados nessa CPMI e que eu não tenho acesso a tais procedimentos, por orientação da minha defesa, exercerei o meu direito de permanecer em silêncio.”
O depoimento foi precedido de intenso debate entre governistas e oposição sobre a contagem de votos nos requerimentos da semana passada, sobretudo o que quebrou os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. O líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), falou em “resultado forjado” e recorreu ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, para pedir anulação da votação.
“O presidente Carlos Viana perdeu qualquer condição de continuar conduzindo esta comissão com a isenção necessária que o presidente de uma comissão precisa ter.”
Já o senador Carlos Viana garantiu que a votação ocorreu de acordo com regimento.
“Não houve nenhum erro na votação. Está muito claro que nós seguimos o regimento durante todo o tempo. O governo perdeu porque não se articulou corretamente mais uma vez e se apega nessa questão de que a contagem foi indevida, foi incorreta.”
O prazo de funcionamento da CPMI é até 26 de março, mas há pedido de prorrogação em análise no Congresso.
Da Rádio Câmara, de Brasília, José Carlos Oliveira

