Militares e indústria bélica defendem mais recursos em momento de tensões geopolíticas — Rádio Senado
Audiência Pública

Militares e indústria bélica defendem mais recursos em momento de tensões geopolíticas

Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional nesta terça-feira (9), representantes das Forças Armadas e da indústria da Defesa apresentaram um quadro de déficit de investimentos na última década e demonstraram apoio à Proposta de Emenda à Constituição que aumenta gradualmente os recursos da União para projetos estratégicos da Marinha, do Exército e da Aeronáutica (PEC 55/2023). Para o relator, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a proposta é essencial no atual momento de tensões geopolíticas.

09/09/2025, 18h28 - atualizado em 09/09/2025, 18h47
Duração de áudio: 03:45
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Transcrição
AS FORÇAS ARMADAS PRECISAM DE MAIS RECURSOS E PREVISIBILIDADE ORÇAMENTÁRIA, AINDA MAIS NO ATUAL CENÁRIO DE TENSÕES GEOPOLÍTICAS. O ALERTA FOI DADO AOS SENADORES POR MILITARES E REPRESENTANTES DA INDÚSTRIA BÉLICA DURANTE AUDIÊNCIA NA COMISSAO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA NACIONAL. O SENADO ANALISA UMA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO QUE AUMENTA GRADUALMENTE O INVESTIMENTO PÚBLICO EM PROJETOS ESTRATÉGICOS. REPÓRTER MARCELA DINIZ: Na audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, representantes das Forças Armadas e da indústria da Defesa apoiaram a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o aumento gradual dos investimentos da União na Marinha, no Exército e na Aeronáutica até atingir o mínimo de 2% do Produto Interno Bruto recomendado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN. Para o diretor-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, Almirante de Esquadra Alexandre Rabello de Faria, a PEC é necessária para dar previsibilidade orçamentária às Forças Armadas que, na última década, viram seus orçamentos para projetos estratégicos diminuir significativamente: (Alte. Esq. Alexandre Rabello de Faria) "No caso da Marinha, nós tivemos nos últimos 10 anos uma involução de orçamento de 62%.A consequência imediata é a redução da nossa quantidade de meios para defender o país. Por isso que eu acho que essa PEC, ela precisa frutificar." O chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro-do-Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo, apontou queda da ordem de 40% no orçamento de manutenção da capacidade operacional e da frota de aeronaves nos últimos dez anos. Para ele, além do reforço na proteção do território nacional, a PEC em debate no Senado será essencial para desenvolver a indústria de Defesa: (Ch. EM. Ten Brig Ar Walcyr Josué de Castilho Araújo) "Se nós tivermos a aprovação desta PEC, a Força Aérea Brasileira sabe, exatamente, onde vai entrar cada centavo pelas necessidades que temos que enfrentar pela atualização dos seus equipamentos. Nós estamos diante de uma oportunidade não só de falar de soberania, mas de falar também de crescimento econômico, porque a nossa base industrial de defesa precisa dessa previsibilidade." A PEC prevê que pelo menos 35% do orçamento dos projetos estratégicos da Defesa sejam aplicados na indústria nacional. Ao ressaltar a importância dessa garantia de investimento, o representante do Exército, General-de-Divisão Everton Pacheco da Silva, afirmou que cada real investido no setor representa nove reais e oitenta centavos a mais no PIB: (Gen. Div. Everton Pacheco da Silva) "Alimentar com o recurso, tendo uma previsibilidade, um montante de recurso adequado, nós estamos falando não apenas das empresas grandes, mas também dessa rede, toda essa rede de empresas nacionais." Ao defender a PEC, o relator, senador Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, ponderou que a queda nos recursos destinados à Defesa começou ainda na década de 90, com o fim da Guerra Fria, e foi fruto de um deslocamento de prioridades característico de tempos de paz. Esse quadro, observou Randolfe, é diferente do que vem se desenhando na geopolítica atual: (sen. Randolfe Rodrigues) "Nós temos que deter a acentuada desvalorização, sucateamento, perda de recursos das nossas Forças Armadas. Nós estamos numa disputa global que eu acho que vai marcar a geopolítica desse século XXI, entre grandes nações. Queria partir disso para fazer o diagnóstico que a realidade, como está, não pode continuar." Ao citar a guerra na Ucrânia, o autor da Proposta de Emenda à Constituição, senador Carlos Portinho, do PL do Rio de Janeiro, disse que o Brasil precisa e tem condições de atualizar suas tecnologias de Defesa: (sen. Carlos Portinho) "Potencial de Defesa significa que a gente inibe que outras nações tenham interesses, outros que não sejam a paz conosco. A guerra, hoje, na Ucrânia, ela já mostrou uma guerra diferente, ela evoluiu, é uma guerra de drones. O Brasil podia estar aí, liderando, porque nós temos conhecimento, nós temos uma indústria de Defesa." A PEC da previsibilidade orçamentária para as Forças Armadas está em análise na Comissão de Constituição e Justiça. Da Rádio Senado, Marcela Diniz. OS COMANDANTES DAS FORÇAS ARMADAS PARTICIPARÃO DE AUDIÊNCIA SOBRE A PEC 55, QUE AUMENTA OS INVESTIMENTOS EM DEFESA NACIONAL, NO DIA 23 DE SETEMBRO, NA COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA DO SENADO.

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