Licença ambiental prévia para ferrovias pode deixar de ser exigida
A Comissão de Infraestrutura do Senado (CI) aprovou o projeto que acaba com a exigência de licença ambiental prévia para que ferrovias autorizadas possam captar recursos por meio de debêntures (PDL 203/2025). Segundo o relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), a regra criava tratamento desigual em relação às concessionárias. O autor, senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), afirmou que a exigência atrasava investimentos e obras estruturais. A proposta segue para a CCJ.

Transcrição
A COMISSÃO DE INFRAESTRUTURA DERRUBOU ARTIGO DE UMA PORTARIA DO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES QUE EXIGIA LICENÇA AMBIENTAL PRÉVIA EM FERROVIAS ADMINISTRADAS POR AUTORIZAÇÃO.
PARA O GOVERNO, ESSE LICENCIAMENTO ERA UMA CONDIÇÃO NECESSÁRIA PARA QUE AS EMPRESAS CAPTASSEM RECURSOS USANDO TÍTULOS DE DÍVIDAS. REPÓRTER RODRIGO RESENDE.
O Ministério dos Transportes passou a exigir uma licença ambiental prévia para que a empresa autorizada a explorar ferrovias pudesse captar recursos por meio de debêntures, uma espécie de empréstimo com longo prazo para o pagamento.
Mas esta condição não existe nos casos das concessões, por exemplo.
Com base neste argumento, a Comissão de Infraestrutura do Senado aprovou a derrubada de um artigo desta portaria, como explica o relator, senador Esperidião Amin, do PP de Santa Catarina.
(senador Esperidião Amin) "O ato do Ministério, a portaria 689, ela estabelece dois pesos e duas medidas, ou seja, um tratamento para as ferrovias concedidas e um tratamento diferente e restritivo, restritivo no campo da atuação para as autorizadas, ou seja, exige o estudo de impacto ambiental, ou seja, as licenças ambientais antes, que isso seja concedido, antes da emissão de debêntures conversíveis em ações."
O autor do projeto, senador Zequinha Marinho, do Podemos do Pará, destacou que o IBAMA está sem capacidade de analisar os pedidos de licença, o que atrasa ainda mais possíveis obras estruturais.
(senador Zequinha Marinho) "Condicionar que alguém que queira espontaneamente investir através debêntures, à licença ambiental prévia, isso é impor, digamos assim, uma barreira de captação de recursos para que o projeto ande. Vamos fazendo aquilo que se precisa fazer e deve fazer sem o licenciamento, enquanto o licenciamento roda, né, cumpre sua pauta lá dentro do IBAMA e amanhã chega-se todo mundo junto ao mesmo ponto, sem perda de tempo, nem para um lado. nem para outro."
O Novo PAC, programa de aceleração do crescimento lançado em 2023, prevê 94 bilhões de investimentos no modal ferroviário até o final de 2026.
O projeto de resolução ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça. Da Rádio Senado, Rodrigo Resende.

