Senadores de Roraima cobram ações para conter violência provocada por migração

Da Redação | 13/02/2020, 13h10

A bancada de Roraima no Senado cobrou nesta semana, em sessão plenária, providências do governo federal no controle da violência e dos conflitos causados pela entrada de milhares de imigrantes venezuelanos no estado, pelo município de Pacaraima, que faz fronteira com a Venezuela. Os senadores Chico Rodrigues (DEM-RR), Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Telmário Mota (Pros-RR) criticaram a Lei de Migração (Lei 13.445, de 2017) e pediram atenção à cidade, que não possui estrutura e nem recursos para abrigar os refugiados.

De acordo com Telmário Mota, Pacaraima está “em guerra” devido ao considerável aumento no número de furtos, roubos e assassinatos, resultantes da crise política vivida pelo país vizinho.

— Roraima está no fundo do poço. É um povo hospitaleiro, é um povo amigo, acolhedor, mas não tem mais o que fazer, porque todo dia chegam milhares e milhares de pessoas — declarou Telmário, afirmando ainda que a Lei de Migração “é muito flexível” e deve sofrer modificações para se adequar à realidade vivida pelo estado.

O senador Mecias de Jesus relatou que Pacaraima abriga, atualmente, cerca de 100 mil venezuelanos, o que aumenta a precariedade da segurança, da saúde e da educação e gera revolta da população local. O parlamentar citou o estupro brutal de uma adolescente de 15 anos, moradora de Pacaraima, que gerou uma série de protestos da população local, repreendidos de forma desproporcional pelas forças de segurança. O suspeito do crime também é da Venezuela.

Ao cobrar atenção ao estado, Mecias de Jesus declarou que o povo de Pacaraima se manifestou para dizer que também faz parte do Brasil.

— Se o Brasil não nos vê, não nos enxerga, nós haveremos de fazer com que todo o Brasil nos tenha como brasileiros, porque brasileiros nós somos. E nós somos bons brasileiros — pontuou.

Mecias ressaltou que os roraimenses querem o direito de ter uma cidade tranquila com segurança, educação e saúde de qualidade.

Segundo Chico Rodrigues, o número de imigrantes é impreciso, porque os governos federal e estadual e os órgãos de fiscalização e controle não têm o registro efetivo da quantidade de venezuelanos residentes em Roraima.

— Esses refugiados venezuelanos, que são tangidos pela necessidade, pelo problema político que existe na Venezuela, vão se acomodando de qualquer forma no nosso estado e aí os problemas surgem, as crises se multiplicam, a população fica amedrontada, culminando, neste último final de semana, com um problema gravíssimo de defesa praticado pela nossa população — destacou.

Chico Rodrigues ressaltou também a representação venezuelana na população carcerária de Roraima. Ele afirmou que são cerca de 2,4 mil detentos nas penitenciárias do estado, sendo mais de 350 refugiados.

— Não é porque estavam fazendo uma obra de caridade, não é porque estavam ajudando a população. Estão lá porque cometeram delitos dos mais diferentes níveis — concluiu.

Visita de Mourão

Em seu discurso, Chico Rodrigues disse esperar que a visita ao estado do do vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, diminua, com ações do governo, a “presença indesejada dos venezuelanos”. Mourão viajou a Roraima nesta quarta-feira (12) para uma reunião da Operação Acolhida.

Em seu Twitter, Mourão declarou ter acompanhado a atuação do Exército Brasileiro no atendimento aos imigrantes. “São 13 abrigos, que atendem como lares temporários aos afetados pela crise na Venezuela, entre eles o Abrigo Rondon 3, que visitei hoje”, postou o vice-presidente.

Operação Acolhida

A Operação Acolhida teve início em março de 2018 com o objetivo de apoiar com pessoal, material e instalações a organização das atividades necessárias ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, decorrente do fluxo migratório para o estado de Roraima, segundo o portal da Força Aérea Brasileira.

A ação humanitária é a primeira desenvolvida pelo Brasil em território nacional. Fato criticado pelo senador Telmário Mota, que defende o apoio brasileiro dentro do território venezuelano, como foi feito com o Haiti.

— A acolhida do Exército Brasileiro tem excelência, é elogiada por todos. Mas é impossível, porque, todos os dias, são milhares e milhares que estão vindo. E o pior: no meio dessas pessoas, estão vindo delinquentes — disse o parlamentar.

Fernando Alves com supervisão de Sheyla Assunção

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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