Senado debate desenvolvimento social, ambiental e econômico sustentável

Da Redação | 05/11/2019, 13h32

Senadores, representantes de empresas e líderes nacionais e internacionais discutiram nesta terça-feira (5) novas formas de estimular o desenvolvimento sustentável e simultâneo nas áreas ambiental, econômica e social. Reunidos no auditório Petrônio Portela, eles avaliaram os resultados de investimentos nacionais e estrangeiros que promovem crescimento econômico, emprego, renda e igualdade social.

O seminário foi promovido pela subcomissão do Grande Impulso para a Sustentabilidade, ligada à Comissão de Meio Ambiente (CMA). O diretor da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (Cepal) no Brasil, Carlos Mussi, comentou que as economias no mundo inteiro têm crescido menos nos últimos anos e a América Latina se coloca como a região onde a desigualdade social é a maior do planeta. Para ele, é preciso executar modelos de desenvolvimento e suas estratégias a longo prazo e por setor.

— A América Latina, por exemplo, governa muitos recursos naturais e o Brasil é um grande provedor de alimentos para o resto do mundo.

O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) acrescentou que, apesar de ser responsável por 70% da alimentação dos brasileiros e ocupar 23% da área produtiva, a agricultura familiar está “encurralada”.

— Os desafios do setor são muitos, como a produção com inclusão tecnológica, a melhoria da oferta de emprego, a conservação de recursos naturais e a manutenção de direitos básicos.

Ele criticou a mecanização da agropecuária por ter acabado com 1,5 milhão de empregos no campo, ao passo que a agricultura familiar é mais “orgânica, sustentável, saudável e resiliente”.

Em outra vertente de uso do solo está a Suzano, empresa brasileira exportadora de papel. Com mais de 2,2 milhões de hectares, ela tem 1,3 milhão de áreas ativas plantadas — com eucalipto — e 900 mil hectares colocados para restauração e conservação dos biomas, ou seja, 40% da área é inativa.

— A sustentabilidade é parte essencial do negócio da empresa e precisa gerar valor — disse Cristiano Oliveira, gerente da Suzano. Ele explicou que a empresa captura mais carbono do ar do que emite. Além disso, nanopartículas vegetais, em vez do algodão, estão sendo usadas para produzir tecidos.

Outra empresa privada convidada para o seminário foi a Neoenergia, um dos maiores grupos privados em energia elétrica no Brasil que gera, transmite, distribui e comercializa energia elétrica. Solange Ribeiro, diretora-adjunta, destacou que a matriz elétrica brasileira é 83% renovável, índice melhor do que o do restante do mundo, que está em cerca de 26%.

— O Brasil tem facilidade para produzir energia. Nossa capacidade de produzir energia eólica é duas vezes maior que a da Europa. A cidade que tem menos insolação no Brasil tem mais sol que cidade alemã com maior insolação. Essas fontes, antes revolucionárias, agora têm preço competitivo.

Uruguai

Tirando o foco do Brasil, o ex-ministro de indústria, energia e mineração do Uruguai Roberto Kreimerman mostrou como a matriz energética do país vem se modificando — assim como acontece no Brasil. De 2001 a 2006, 56% da energia gerada no país vinha do petróleo e 5% era importada. As hidrelétricas representavam 20% do total, seguido de lenha (17%) e gás natural (2%).

— Hoje o crescimento econômico está menos concentrado em petróleo e água e os eixos estratégicos da oferta de energia consideram a diversificação baseada em energias renováveis como forte componente nacional.

Esses eixos, segundo ele, tendem a reduzir o peso do petróleo importado na equação energética uruguaia, além de aumentarem a participação das fontes domésticas e das renováveis.

Meio ambiente

Indicadores da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram Brasil e México como os países com menor rigidez nas regulações ambientais, com 0,5 e 0,7 pontos, respectivamente. Na outra ponta, França e Alemanha superam o índice de 3,5. O diretor de economia da OCDE, Luiz de Mello, ressaltou que as pessoas ainda pensam que padrões ambientais mais exigentes são um luxo, ou seja, para se desenvolver, os países não devem considerar a sustentabilidade como prioritária. Ele destacou que, quanto maior o desemprego, menor a preocupação com o meio ambiente.

— Ainda há uma percepção de que o progresso econômico e a preservação do meio ambiente são incompatíveis — lamentou.

O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que, quando a pessoa tem a oportunidade de levar a vida de maneira mais sustentável, geralmente ela abraça a ideia. Ele contou que, durante uma campanha eleitoral, questionou um lenhador que cortava uma árvore do interior da Bahia se aquilo não o maltratava.

— Ele disse que sim, mas o que mais maltrata é não levar a comida dos filhos. Então essa equação ou a gente resolve ou ela não funciona, porque a miséria não é sustentável, tampouco a usura. É por isso que eu insisto que a questão da distribuição de renda é pilar.

Wagner disse que a intenção do seminário era de que os participantes buscassem fomentar uma visão, na iniciativa privada, nos governos, com ambientalistas e estudantes para fugir “do pensamento binário de que só há sim ou não”.

— Na verdade a vida é muito mais degradê. Por isso vamos tirar a questão ideológica para desobstruir as mentes e tentar caminhar. As relações de trabalho estão mudando; a energia e a sustentabilidade também.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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