Para debatedores, centro de pesquisas deve ser mantido após privatização da Eletrobras

Da Redação | 01/10/2019, 20h55

O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) tem contribuído decisivamente para a autonomia tecnológica do país nas áreas de geração, transmissão, distribuição e geração de energia elétrica. Sua extinção poderá representar a perda de um enorme patrimônio técnico-científico construído ao longo de mais de quatro décadas com o esforço dos brasileiros.

Esse foi o alerta feito, nesta terça-feira (1º), por debatedores que participaram de audiência pública promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) para discutir a capitalização da Eletrobras.

Anderson Márcio de Oliveira, diretor de programa da Secretaria Executiva do Ministério de Minas e Energia (MME), adiantou que a Casa Civil está elaborando projeto de lei de privatização da Eletrobras prevendo a emissão de ações pela empresa, as quais não deverão ser adquiridas pela União que, no entanto, não deixará de ser sócia da estatal.

De acordo com Oliveira, serão incluídos no projeto mecanismos visando a manutenção do Cepel mesmo após a privatização.

— Estamos falando de capitalização, porque diferentemente de outras privatizações, vamos emitir novas ações. A União não vai acompanhar esse aumento de capital, mas continuará sócia da Eletrobras. Em relação ao Cepel, estão sendo pensados, de fato, mecanismos de garantia de sua sobrevida — disse ele.

Diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica, Amilcar Gonçalves Guerreiro destacou a importância do apoio da Eletrobras e dos demais sócios-fundadores do Cepel para a sua transformação no “maior centro de pesquisa em energia elétrica na América do Sul"

— O Cepel é referência no Brasil e no exterior. Nós temos alguns laboratórios que são únicos na América Latina. É um patrimônio do país. Ele vai muito além da Eletrobras — afirmou Almicar.

Em sua apresentação, o diretor-geral do Cepel informou ainda que o centro conta com 229 profissionais de nível superior, 87 técnicos alocados em laboratórios, e com um orçamento, em 2019, da ordem de R$ 240 milhões.

Márcio Szechtman, diretor de transmissão da Eletrobras, destacou o papel fundamental do Cepel para o avanço tecnológico da indústria nacional de equipamentos elétricos e para a confiabilidade destes equipamentos no Sistema Interligado Nacional. Ele apresentou gráfico demonstrando a melhoria contínua da qualidade de equipamentos elétricos — disjuntores, transformadores e cubículos — produzidos pela indústria brasileira. Disjuntores produzidos no Brasil, por exemplo, conforme explicou, passaram a ter um índice de aprovação em ensaios superior a 90%, desde o início da atuação do Cepel em 1974, quando apenas 40% destes equipamentos passavam no teste de qualidade.

A audiência pública foi presidida pelo senador Vanderlan Cardoso (PP-GO), que foi o autor do requerimento para a realização do debate.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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