CPI de Brumadinho: auditor de segurança de barragens fica em silêncio

Da Redação | 23/04/2019, 17h38

A Comissão Parlamentar de Inquérito que apura as causas do rompimento da barragem na Mina Córrego do Feijão, da empresa de mineração Vale, em Brumadinho (MG) e outras barragens (CPI de Brumadinho) se reuniu na tarde desta terça-feira (23) para ouvir três convocados. Um deles, o engenheiro Arsênio Negro Júnior, auditor da empresa alemã Tüv Süd, foi chamado por requerimento do relator da CPI, senador Carlos Viana (PSD-MG), para esclarecer se a empresa fora pressionada a assinar os laudos de estabilidade das barragens da Vale.

Negro Júnior, no entanto, apresentou um habeas corpus para permanecer em silêncio e não assumir o compromisso de dizer a verdade. Ele disse que já prestou “oitivas longas e complexas” à polícia e ao Ministério Público e foi aconselhado a permanecer em silêncio. No entanto, o relator afirmou que a CPI tinha o direito de fazer as perguntas programadas, para aproveitar a presença do convocado.

— Respeitamos a decisão da Justiça, mas entendemos que isso não impede a CPI de fazer as perguntas — declarou Carlos Viana.

O relator questionou o engenheiro se as ações da Vale foram as adequadas tendo em vista um suposto vazamento em uma de suas barragens ainda em junho de 2018. Viana perguntou também sobre o risco de cancelamento do contrato da Vale com a Tüv Süd em caso de a empresa contratada negar o atestado de segurança para a barragem do Córrego do Feijão. Negro Júnior, no entanto, disse preferir não responder.

Antipatia

Para a senadora Juíza Selma (PSL-MT), a decisão pelo silêncio só faz o depoente “angariar a antipatia de todas as pessoas”. Ela fez várias perguntas para Arsênio Negro Júnior, mas obteve apenas o silêncio como resposta. A senadora questionou se a Vale está pagando algum prêmio pelo silêncio do engenheiro na CPI, o que ele negou.

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que presidiu a reunião, disse que a CPI quer “separar os lambaris dos tubarões”. Ele pediu para o engenheiro pensar em sua própria família e deixar o silêncio de lado. Kajuru disse que os convocados “protegem a Vale e seus colegas” e está claro que “a Vale está pagando advogados e conquistando habeas corpus”.

— Pra mim, quem paga a banda escolhe a música. Posso estar errado, mas a Vale está pagando seu advogado? — questionou o senador a Negro Júnior, que respondeu que não, mas não quis confirmar se ele próprio está pagando sua advogada.

Riscos

Os outros ouvidos pela CPI foram o geólogo César Augusto Paulino Grandchamp e o engenheiro Felipe Figueiredo Rocha, executivo da área de Recursos Hídricos, ambos da Vale. Grandchamp negou que soubesse do risco de rompimento da barragem B1 (no Córrego do Feijão). Já Felipe Rocha confirmou que foi feita uma apresentação para a Vale sobre os riscos das barragens da empresa que citava a barragem B1.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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