Dário Berger defende reforma da Previdência, mas culpa grandes conglomerados pelo déficit

Da Redação | 14/02/2019, 18h10 - ATUALIZADO EM 14/02/2019, 18h49

O senador Dário Berger (MDB–SC) manifestou apoio, nesta quinta-feira (14) em Plenário, à reforma da Previdência. Ele salientou, porém, que a reforma deve ser "para todos" e que o déficit previdenciário tem origem nos grandes conglomerados econômicos: eles simplesmente não pagam o que devem.

— Tem que ser uma reforma para todos. Não pode ser, novamente, uma proposta que seja uma reforma em que os mais pobres vão custear a Previdência dos mais ricos. Nós temos que inverter essa forma de governar. Nós temos que valorizar quem precisa e temos que cobrar de quem tem para ser cobrado — afirmou.

O parlamentar lembrou ter participado da CPI da Previdência, que investigou o déficit nas contas da Seguridade e identificou uma das maiores causas para a situação: a inadimplência dos grandes grupos empresariais.

— Se todos pagassem a Previdência, esta não teria déficit. O problema é que as grandes empresas, os grandes grupos financeiros, os grandes grupos empresariais não pagam a Previdência como deveriam pagar. Aí, chamados a dar explicações, eles dão a explicação da forma retrógrada e ultrapassada da nossa legislação, que permite que os grandes empresários, os grandes conglomerados financeiros façam a compensação financeira daquilo que eles têm para receber do Estado com aquilo que eles têm a pagar.

De acordo com Dário Berger, como a estrutura brasileira é "arcaica, ultrapassada, morosa", a compensação fica para 5, 10, 12, 15, 20, 30 anos depois, e eles acabam não pagando o que deveriam recolher. O senador disse que a JBS, por exemplo, é um dos maiores devedores da Previdência Social, junto com os bancos.

Os tempos, disse ainda, são difíceis, de situação complexa, de opiniões divergentes e de país dividido, com falta de recursos. Ele mencionou entre os problemas enfrentados a irresponsabilidade fiscal e administrativa, o corporativismo público e privado, e governos burocráticos e ineficientes que levaram a uma crise sem precedentes.

Para o senador, o país "tem pressa e precisa restabelecer a confiança com a sociedade". Ele disse que as "divergências pessoais e partidárias" devem ser deixadas de lado para que o foco seja o desenvolvimento do país. Dário Berger disse ser necessário avançar com "respeito, serenidade e, sobretudo, com grandeza para enfrentar os problemas, para botar novamente o Brasil nos trilhos".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)