Três programadores ganham tablets por aplicativo que mostra 'trilha' legislativa

Da Redação | 02/07/2018, 18h05 - ATUALIZADO EM 02/07/2018, 18h11

A Equipe 31337, de Brasília, vencedora do Parlathon Go, maratona de programação organizada pelo Senado e Câmara dos Deputados na Campus Party Brasília, foi premiada na noite de sábado (30) com três tablets e três entradas para a Campus Party São Paulo, que será realizada em janeiro de 2019. O aplicativo para celular desenvolvido pelo grupo em 36 horas permite uma visualização descomplicada da trilha legislativa, como foi chamada a tramitação dos projetos.

Para Danilo Lemes, líder da Equipe 31337, a maior dificuldade para desenvolver o aplicativo foi compreender o processo legislativo.

— A gente perdeu bastante tempo tentando entender a tramitação de um projeto de lei. Uma Casa inicia, a outra revisa, tem veto, não tem veto. Além disso, a gente encontrou muitos problemas na hora de puxar os dados. Apesar de representarem a mesma coisa, os dados das duas Casas são [oferecidos] de forma totalmente diferente. Vincular os dois é muito difícil — disse.

Além de Danilo, fizeram parte da equipe vencedora Daniel Sousa e Abner Lucas. Os três são da área de análise e desenvolvimento de sistemas. Danilo e Daniel já trabalham, Abner é ainda estudante.

O segundo lugar ficou com a equipe KBM, premiada com três entradas para a Campus Party de São Paulo. A Equipe Batata, classificada em terceiro lugar, também recebeu três entradas, sem acampamento, para o evento de São Paulo. O trabalho das duas equipes também envolveu o desenvolvimento de soluções, a partir de dados abertos da Câmara e do Senado, para acompanhar a tramitação de projetos. Das 29 equipes inscritas, 7 conseguiram apresentar uma proposta.

Tecnologia e política

O diretor-executivo de Gestão do Senado, Márcio Tancredi, avaliou que a participação do Senado na Campus Party é uma amostra definitiva de uma tendência da Casa “para inverter uma equação antiga”, ao referir-se à dificuldade de comunicação com a população.

— O que vale agora não é o que a gente quer mostrar ao público, mas entender o que o público quer ver da nossa parte — disse.

Diretor do Prodasen, Alessandro de Albuquerque falou da sua surpresa ao ver jovens campuseiros “deixando o tempo deles de curtir a Campus Party, de ir a palestras, de ir a eventos e de jogar” para ficar em suas bancadas estudando o processo legislativo e os dados abertos sobre tramitação.

— Ali foi um exemplo de que a política tem tudo a ver com jovem e que a tecnologia tem tudo a ver com política. Foi um sucesso. Espero estar aqui no ano que vem juntamente com a Câmara.

Consulta simples

Para o diretor da Secretaria Legislativa do Congresso Nacional, Waldir Bezerra Miranda, foi visível o esforço das equipes para apresentar um trabalho que estimule as pessoas a se interessarem pelo processo legislativo, que “é difícil de entender”, disse. O desafio dos campuseiros foi deixar a consulta simples para atrair as pessoas, segundo Waldir, que fez parte da comissão julgadora do Parlathon Go.

Ricardo Vilarins, chefe de gabinete da Secretaria-Geral da Mesa da Câmara e um dos membros da equipe técnica que avaliou se as propostas atendiam às regras do edital, disse que é possível identificar nas soluções apresentadas ideias que podem ser aproveitadas, pelo Senado e Câmara, em aplicativos e em sites responsivos.

— Dá para identificar, em 36 horas, uma curva de aprendizagem alta das equipes, apesar das dificuldades de levar para o público o entendimento do processo legislativo.

Campus Party Brasília

A Campus Party Brasília, encerrada domingo, dia 1º, reuniu no Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha hackers, desenvolvedores, gamers e empreendedores que participaram de maratonas de programação e palestras na área de TI.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)