CPI da Petrobras obtém 29 assinaturas

Da Redação | 06/06/2018, 20h36 - ATUALIZADO EM 27/07/2018, 11h25

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado pode investigar a política de preços cobrados pela Petrobras na venda de combustíveis. O requerimento apresentado pela senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) conta com 29 assinaturas, duas a mais que o necessário para a instalação do colegiado.

Nesta quarta-feira (6), a senadora defendeu em Plenário o início dos trabalhos. Segundo a parlamentar, a CPI vai apurar “os mais de 200 reajustes de combustíveis” ocorridos durante o governo do presidente Michel Temer.

– O objetivo é fazer um levantamento técnico. Talvez seja a única CPI que não terá necessidade de convocar ninguém: apenas levantar e estudar os dados, para dar condições ao Senado de votar as medidas provisórias e os projetos do governo que jogam para a população brasileira a conta dos R$ 0,46 pelo litro do diesel – disse Vanessa.

O senador Magno Malta (PR-ES) também assinou o requerimento. Mas anunciou que vai pedir a convocação da ex-presidente Dilma Rousseff; do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci; da ex-presidente da Petrobras Graça Foster; e de ex-diretores da empresa condenados por corrupção.

– Só uma CPI dessas pode desvendar os contratos superfaturados. Quero olhar nos olhos dessa canalhada que assaltou a Petrobras e agora está posando de bonzinho como se nada tivesse feito lá – afirmou Magno Malta.

Para a senadora Ângela Portela (PDT-RR), a redução dos preços dos combustíveis que pôs fim à greve dos caminhoneiros não pode estar limitada ao óleo diesel. Segundo ela, o gás de cozinha e a gasolina “continuam caríssimos”, e o governo “não dá sinal de interesse em atacar de frente o problema”.

– Temer trocou o presidente da Petrobras. Ele chegou, nem tirou o paletó, e já foi aumentando a gasolina de novo. Por isso, assinei requerimento para investigar a política de formação de preços da Petrobras, que se revelou danosa para o país – afirmou Ângela Portela.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) também defendeu a instalação da CPI da Petrobras. Ele alertou para os riscos de privatização da empresa, que tem reduzido o nível de utilização de refinarias.

– Já há uma excessiva queda, em torno de 70%. Sendo que algumas delas estão operando com uma capacidade próxima a 50%. Ou seja, é a política para desativar a produção e o refino no Brasil, para, depois, privatizar e vender a preço de banana os ativos da Petrobras – disse Otto Alencar.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)