Necessidade de reforma tributária é uma das lições da greve dos caminhoneiros, diz Lúcia Vânia

Da Redação | 30/05/2018, 14h53 - ATUALIZADO EM 30/05/2018, 16h47

A necessidade urgente de uma ampla reforma tributária é uma das lições a serem aprendidas pelo Brasil com a crise causada pela greve dos caminhoneiros, disse nesta quarta-feira (30) a senadora Lúcia Vânia (PSB-GO), em Plenário. Lúcia Vânia lembrou também da dependência do transporte rodoviário. E considerou que a gestão da Petrobras errou ao sair de um extremo ao outro: de preços subsidiados para a variação diária.

Quanto à reforma tributária, a senadora observou que há a incidência de tributos é muito elevada sobre o consumo, de forma a penalizar os mais pobres. Em vez disso, disse, deveria haver um peso maior sobre o patrimônio e a renda, o que permitiria mais justiça tributária.

Lúcia Vânia lembrou que, ao assumir a presidência da Petrobras, em 2016, a atual gestão adotou uma postura austera diante do quadro deficitário da empresa, alterando a política artificial de preços dos combustíveis, para adequar a companhia à nova realidade. Com isso, a confiança na Petrobras aumentou rapidamente.

— Não poderíamos repetir o erro do passado [de preços subsidiados]; portanto, eu não compartilho da visão de que a atual gestão é responsável pela situação atual de desabastecimento vivida pela população. Mas entendo que o atual governo foi de um extremo ao outro na política de preços adotada, que trouxe muita instabilidade para as decisões dos atores envolvidos, em particular os caminhoneiros, os consumidores. O principal responsável pela crise detonada pela greve dos caminhoneiros foram as políticas públicas adotadas em sucessivas administrações — avaliou.

A senadora lamentou ainda extrema dependência do Brasil do transporte rodoviário, causada por decisões errôneas adotadas no passado.

— Frente a outros países de dimensões continentais, as rodovias exercem peso relativo excessivo na matriz de transporte brasileira. Decisões errôneas tomadas no passado nos levaram a essa situação. O ideal seria que a nossa matriz de transportes fosse mais bem distribuída, com uma importância relativa maior do transporte por ferrovias e hidrovias — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)