Política de Temer para o petróleo atenta contra a soberania nacional, diz Requião

Da Redação e Da Rádio Senado | 24/04/2018, 18h47 - ATUALIZADO EM 24/04/2018, 19h05

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) afirmou nesta terça-feira (24) em Plenário que considera urgente o estabelecimento de uma estratégia nacional para exploração e uso do petróleo. Ele acusou o governo de Michel Temer de tratar o petróleo como se fosse uma commodity qualquer, desconsiderando os interesses nacionais.

Para o senador, o Brasil está perdendo a soberania no setor de petróleo em face da destruição da Petrobras nos últimos anos. Requião afirmou que os atuais diretores da estatal petrolífera assumiram seus cargos com a finalidade de degradar seus serviços e privatizar a empresa aos pedaços.

O senador paranaense também criticou a política de preços “insana” dos derivados de petróleo, que prejudica o consumidor, e convidou as Forças Armadas ao debate sobre a preservação do setor petrolífero como elemento de soberania nacional.

— Essa ausência de visão estratégica se reflete internamente até no dia a dia da população. Os sucessores de milhões de brasileiros que criaram a Petrobras e hoje usam derivados de petróleo, sobretudo gás, gasolina e diesel, comercializados pela empresa, estão sendo forçados a submeter-se aos exercícios de mercado persa do seu presidente, quando impõe uma política de preços insana para derivados, vinculada às oscilações externas diárias — afirmou.

Entre outras propostas, Requião sugeriu submeter as decisões da Petrobras às demandas do povo e restaurar a participação obrigatória da estatal na exploração dos campos de petróleo, incluindo a volta da exigência de conteúdo nacional nos equipamentos para tal finalidade.

— Em qualquer hipótese, o Brasil deve manter o controle majoritário dos fluxos de produção e das reservas, inclusive como condição para participar soberanamente da política internacional do petróleo — disse o senador.

Requião disse ainda que o governo abre mão da soberania do país em vários setores estratégicos, o que configuraria corrupção maior do que qualquer outra.

— Quer impunidade maior do que a entrega do petróleo, das terras, do espaço aéreo, da plataforma marítima, da tecnologia aeronáutica? E essa impunidade juiz algum, nenhum justiceiro, nenhum membro do Ministério Público, nenhum delegado da Polícia Federal, nenhum jejuador, nenhuma carcereira ousam combater — declarou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)