Diplomata aponta potencial das exportações agrícola e de defesa para a Nigéria

Sergio Vieira | 08/03/2018, 12h59 - ATUALIZADO EM 13/03/2018, 17h49

O potencial de exportações brasileiras para Nigéria nas áreas de agricultura e defesa foi destacado pelo diplomata Ricardo Guerra de Araújo durante sabatina na Comissão de Relações Exteriores nesta quinta-feira (8). Ele teve seu nome aprovado na comissão para a chefia da embaixada brasileira naquele país, a maior economia do continente africano.

Araújo alertou que mais até do que uma questão de escolha, a Nigéria necessita da cooperação com outros países para suprir suas carências alimentares e deficiências de infraestrutura. E que se o Brasil não aproveitar este mercado, outras nações certamente o farão, como já vem fazendo especialmente a China.

— O maior potencial hoje está na agricultura. Durante o Fórum Empresarial Brasil-Nigéria, que aconteceu em Lagos no ano passado, eles demandaram explicitamente máquinas e equipamentos agrícolas. Eles precisam modernizar e mecanizar a agricultura, porque a população deles é muito grande, é questão de segurança alimentar. Projeta-se que a Abimaq e a Anfavea podem exportar 20 mil tratores para lá.

Além de ser a maior economia, a Nigéria é também o país mais populoso da África, com 186 milhões de habitantes. A população é próxima à do Brasil porém num território equivalente à do estado de Mato Grosso. O diplomata informou que a Nigéria tem a 10ª maior reserva de petróleo e a 8ª maior reserva de gás natural do mundo e que a quase a totalidade dos investimentos são destinados aos setores de petróleo e gás, deixando os setores de infraestrutura em segundo plano.

Ricardo Guerra de Araújo acredita que a área de equipamentos militares pode vir a ter muito peso nas exportações brasileiras para a Nigéria.

— Aí o potencial é realmente muito promissor. Envolve a venda de aeronaves como os super-tucanos (para ataque leve e treinamento avançado) e o KC-390 (para transporte de tropas). Podemos vender também drones, carros de combate Guarani e radares — previu.

Uma das prioridades do exército nigeriano, explicou  o diplomata,  é combater o grupo terrorista Boko Haram, que controla parte do nordeste do país. Eles também desejam colaboração com o Exército Brasileiro no treinamento de combate em selva e na formação de pilotos de helicópteros, revelou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)