Ex-presidente da Caixa nega contato com irmãos Batista

Da Redação | 10/10/2017, 15h07 - ATUALIZADO EM 10/10/2017, 16h05

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, negou ter tido contato com os irmãos Joesley e Wesley Batista ou qualquer outro integrante do comando do grupo JBS enquanto esteve à frente do banco. Ela prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10) na comissão parlamentar de inquérito mista que investiga as operações do conglomerado econômico.

A executiva esteve à frente do banco de março de 2006 a março de 2011, período em que admitiu ter havido três grandes operações de crédito a favor das empresas: R$ 250 milhões em novembro de 2009; R$ 500 milhões em dezembro de 2010 e outros R$ 500 milhões em janeiro de 2011.

Os altos valores movimentados em apenas três meses — pouco depois das eleições — chamaram atenção de alguns deputados participantes da reunião e do presidente da CPI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). O deputado Delegado Francischini (SD-PR) chegou a indagar se ela se lembrava de outra empresa que tivesse feito operações semelhantes.

— Lamento, mas não tenho como ter essa informação. Seria até imprudente de minha parte citar, até porque nem sei se posso fazer isso por conta do sigilo bancário; mas a Caixa tem essas informações e que podem ser facilmente obtidas — explicou.

Maria Fernanda Coelho garantiu que as operações seguiram todas as normas e exigências de praxe e também negou ter tido contato com o ex-deputado Eduardo Cunha, com o ex-ministro Geddel Vieira Lima e com Fábio Cleto. Segundo ela, estes dois últimos foram vices-presidentes da instituição depois da saída dela do comando do banco.

BNDES

O segundo a ser ouvido pela CPI Mista nesta terça-feira foi o ex-chefe do Departamento de Mercado de Capitais do BNDES José Cláudio Rego Aranha, suspeito de favorecer a JBS em negócios bilionários. Ele teve de dar explicações aos parlamentares sobre sua participação no conselho de administração do grupo enquanto ainda estava na estatal, o que lhe rendeu acusações de ter feito jogo duplo.

— A indicação é prevista em lei. Quando o banco faz contrato para colocar recursos, um dos pontos é o direito de ter uma ou duas indicações para o conselho de administração da empresa beneficiada. Todos os bancos de investimentos fazem isso. É uma prática internacional, algo comum. Não é algo do Brasil, é do mercado — disse José Claudio, que atuou como conselheiro de setembro de 2007 a junho de 2008.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o deputado Izalci (PSDB-DF) questionaram a rapidez do BNDES ao conceder aportes e financiamentos ao grupo JBS e levantaram suspeita sobre a compra da americana Swift. O investimento foi feito com a participação do BNDESPar,  braço do BNDES no mercado acionário.

José Cláudio negou ter havido favorecimento do BNDES aos irmãos Batista e disse que, diferentemente do que foi noticiado, o negócio não foi feito em apenas pouco mais de 20 dias, mas em pelo menos três meses.

— Participei somente do relatório preliminar feito pela área de enquadramento de crédito. Não participei da decisão definitiva de investimento — explicou.

Sigilo

Após o depoimento, o deputado Francischini informou que vai apresentar requerimento de transferência de sigilo bancário de José Cláudio Rego Aranha, o que provocou reação imediata do deputado Wadih Damous (PT-RJ), que questionou a iniciativa, visto que o depoente havia respondido a todas as perguntas.

— CPI não pode sair pedindo quebra de sigilo a rodo, sem base determinada — acrescentou.

A análise deste e de outros requerimentos ainda vai ser feita em reunião com data a ser agendada pelo presidente da CPI.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)