Ferrovia Bioceânica, que liga Brasil ao Pacífico, enfrenta problemas para implantação

Da Redação | 08/08/2017, 16h35 - ATUALIZADO EM 09/08/2017, 18h56

A construção da Ferrovia Bioceânica, entre Brasil e Peru, depende de um acordo entre os países sobre o melhor traçado, conforme informou nesta terça-feira (8) o Secretário de Fomento e Parcerias do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Dino Antunes Dias Batista, em audiência na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI).

De acordo com o estudo básico de viabilidade técnica, a extensão total do traçado da Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru (Bioceânica) é de 4,9 mil quilômetros. O trecho peruano tem extensão de 1,6 mil quilômetros e o brasileiro, quase 3,3 mil. Ela se inicia em Campinorte (GO), passando pelo Mato Grosso, Rondônia e Acre, até chegar à fronteira peruana.

O problema, segundo informou Dino Batista, é que o Peru quer que a ferrovia passe por uma região que está a 4 mil metros de altitude — em uma região politicamente importante para o país —, o que custaria R$ 20 bilhões a mais do que a rota sugerida pelo Brasil. Já o governo brasileiro prefere que a Bioceânica passe por outra região, que está a 2.700 metros de altitude, para chegar ao Pacífico. O custo total nesse caso seria de R$ 50 bilhões.

Bitolas

Outro problema está na diferença das bitolas usadas nas ferrovias brasileiras e peruanas, o que poderia exigir um transbordo na fronteira, também encarecendo o projeto. Mas tudo depende da retomada das conversas entre Lima e Brasília.

— Desde a eleição peruana do ano passado a interlocução está difícil — admitiu Dino Batista.

Segundo ele, o governo brasileiro tem se esforçado para retomar o diálogo sobre o projeto.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)