Diretor do Departamento do Mercosul apoia adesão da Bolívia ao bloco

Da Redação | 08/08/2017, 17h12 - ATUALIZADO EM 09/08/2017, 09h17

O diretor do Departamento do Mercosul do Ministério das Relações Exteriores, Otávio Brandelli, considerou positiva a adesão da Bolívia ao bloco. A afirmação foi feita durante audiência pública realizada nesta terça-feira (8) pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul).

O encontro teve como objetivo analisar o protocolo de adesão da Bolívia ao  Mercosul. O texto foi assinado em 17 de julho de 2015, durante reunião de cúpula realizada em Brasília. De acordo com Otávio Branmdelli, o fator geográfico e as significativas reservas de gás e de lítio do país são os principais motivos que demonstram que a Bolívia será um grande parceiro para o Brasil e para a América Latina.

Sobre a questão geográfica, Otávio Brandelli lembrou que a fronteira entre o Brasil e a Bolívia é a maior fronteira terrestre do Brasil, alcançando mais de 3,4 mil quilômetros de extensão. Segundo ele, uma fronteira dessa dimensão pode ser foco de oportunidades e de problemas e a participação dos países em um mesmo processo de integração cria condições favoráveis para um melhor encaminhamento dos problemas de fronteira.

Em relação à questão energética, o diretor do Departamento do Mercosul lembrou que a Bolívia é o principal fornecedor de gás natural para o Brasil (mais de 90% das exportações), tem um enorme potencial hidrelétrico e a energia do futuro, já que tem o segundo maior estoque de lítio do mundo.  O mineral é essencial à fabricação de baterias utilizadas pela indústria eletrônica

- Um país que tem toda essa potencialidade e é nosso vizinho é quase natural que deva haver uma aproximação no sentido da integração – disse.

O diretor do Departamento do Mercosul  elogiou ainda o êxito da Bolívia nas políticas macroeconômicas no que diz respeito ao controle da inflação, do crescimento do produto interno bruto (PIB) e da relação PIB/dívida.

Audiência pública

A audiência pública foi a primeira etapa do processo de ratificação do texto, que ainda será examinado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Segundo o protocolo, a Bolívia terá quatro anos, a partir da data de sua entrada no bloco, para adotar a Nomenclatura Comum do Mercosul, a Tarifa Externa Comum e o Regime de Origem do Mercosul.

O debate foi solicitado pelo deputado Celso Russomanno (PRB-SP). O texto da Mensagem 234/2016, do Poder Executivo, está sendo relatado pela senadora Fátima Bezerra (PT-RN), que já apresentou voto pela aprovação.

Críticas

A adesão da Bolívia não é totalmente aceita pelos demais países do Mercosul. A própria relatora destaca em seu voto os três principais argumentos contrários: a desapropriação pelo governo de Evo Morales de ativos da Petrobras na Bolívia; as alegadas imperfeições do regime democrático boliviano, colocando-o em desacordo com o Protocolo de Ushuaia; e a possível criação de obstáculos, pelo governo da Bolívia, à celebração de acordos entre o Mercosul e demais países e blocos regionais.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)