Participantes de audiência defendem duplicação de BR-163 e escoamento de produção pelo norte

Da Redação | 07/08/2017, 16h04 - ATUALIZADO EM 08/08/2017, 13h59

Uma das soluções para os problemas logísticos enfrentados por Mato Grosso passa pelos portos da região Norte. Para isso, no entanto, é preciso melhorar a malha viária que corta o estado, como os corredores das BRs 163 e 364, disseram os participantes de uma audiência pública sobre o tema nesta segunda-feira (7), em Cuiabá.

Presidida pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT), a reunião foi realizada pelas Comissões de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e Senado do Futuro (CSF), em parceria com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

— A questão é estratégica, mas não se trata só de produção agrícola, mas de segurança para a população. A ineficiência do transporte custa ao Brasil 6% do PIB por ano. Mato Grosso tem maior custo de frete do país. Uma das alternativas é o Arco Norte, onde os produtos podem ser escoados em portos como Itaqui, no Maranhão, e Miritituba, no Pará — defendeu Fagundes.

O diretor do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira, afirmou que a safra de milho e soja do Mato Grosso crescem a cada ano e o estado ainda tem 15 milhões de hectares que podem ser incorporados à agricultura. No entanto, continuou, o aumento da produção está atrelado a questões logísticas.

O superintendente estadual do Dnit, Orlando Machado, admitiu que Mato Grosso tem um débito histórico no que diz respeito à conservação de pavimentos das rodovias; entretanto, a situação tem melhorado nos últimos anos, garantiu.

— Hoje, quando se leva em conta a condição de pavimento, Mato Grosso está em 8º lugar num ranking do Dnit. Em 2001, 52% da malha viária era considerada de má qualidade e só 4% estavam em boas condições. Hoje temos um índice de 60% bom e apenas 19% ruim — declarou.

Cooperação

Antes do evento, houve a assinatura de acordos de cooperação técnica entre o Dnit e a prefeitura de Cuiabá e a Associação Matogrossense dos Municípios relativos à duplicação da BR-163, trecho entre a capital e Serra de São Vicente.

O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, disse que por muitos anos a população vem convivendo com os perigos oferecidos pelas BRs 364 e 163. Segundo ele, o poder público municipal não poderia ficar ausente ou omisso diante de obras tão relevantes, daí a importância da assinatura dos acordos.

— Não vamos atravancar o desenvolvimento da capital, mas é preciso ação coordenada com outros órgãos federais e estaduais. São obras que impactam diretamente o conforto e a qualidade de vida dos cuiabanos — afirmou.

Visitas

Pela manhã, os participantes da audiência visitaram a obra viária do contorno Norte de Cuiabá, de responsabilidade do Dnit. À tarde, houve uma visita às obras de duplicação da BR-163 entre Cuiabá e Serra de São Vicente.

A BR-163 tem quase 3.500 km e cruza os estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ainda há trechos não pavimentados, bem como outros entregues a iniciativa privada, que é responsável pela duplicação. No Mato Grosso, a concessionária Roda do Oeste é responsável por 850 quilômetros da via.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)