Senadores criticam repressão a manifestação de índios na Esplanada

Da Redação | 25/04/2017, 19h17 - ATUALIZADO EM 26/04/2017, 13h22

A ação da Polícia Militar contra os indígenas que se manifestavam no gramado em frente ao Congresso nesta terça-feira (25) foi duramente criticada por senadores em Plenário. Para grande parte dos senadores, a ação dos policiais foi excessiva, já que os índios não ofereciam perigo.

O grupo está em Brasília no Acampamento Terra Livre, que ocorre todos os anos, para cobrar direitos e políticas públicas para os povos tradicionais, como a demarcação de terras indígenas. Os manifestantes deixaram caixões pretos no local para simbolizar o genocídio dos povos indígenas, em uma crítica à bancada ruralista no Congresso. Houve confronto com os policiais, que reprimiam os manifestantes com bombas de efeito moral. Alguns manifestantes responderam com flechas.

Repúdio

Para o senador João Capiberibe (PSB-AP), as bombas disparadas contra os índios foram desnecessárias e a atitude dos policiais foi "grotesca, violenta e agressiva".  Segundo o senador, os índios estavam distantes do Congresso e não havia qualquer possibilidade de que eles ameaçassem a segurança.

— Aqui vai o meu repúdio a essa agressão aos povos indígenas do Brasil, principalmente no momento em que eles lutam para preservar o direito às suas terras e também preservar as suas próprias vidas — declarou o senador.

Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Humberto Costa (PT-PE) também repudiaram a repressão às manifestações dos indígenas. Randolfe lembrou que esses povos já têm vários direitos ameaçados por proposições que estão analisadas pelo Congresso e, agora, têm sua manifestação pacífica "violentamente reprimida".

— A reação desmedida, injustificada, violenta contra a manifestação pacífica e legítima dos povos indígenas na frente do Congresso Nacional merece o nosso mais veemente repúdio, porque é um desrespeito, em especial a nossa identidade e a nossa história — protestou.

Apelo

Para a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), a incompetência política do governo e do Congresso Nacional coloca trabalhadores contra trabalhadores e faz com que policiais sejam colocados para reprimir quem busca seus direitos. A senadora usou um cocar indígena em Plenário para defender as manifestações e pediu que a entrada dos indígenas fosse liberada nesta quarta-feira (26), quando haverá  audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) em conjunto com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

— Eu espero que os índios possam ser recebidos aqui, porque não é possível um Congresso que tem medo do povo. E, se o povo entra com violência aqui, é porque alguma coisa está errada. Quando os direitos sociais são mediados pela polícia, é isso que dá — disse a senadora, alertando para a possibilidade de uma convulsão social em decorrência da incompetência da classe política.

Lídice da Mata (PSB-BA) se disse perplexa com o ocorrido e afirmou que o governo Temer fez aumentar a violência contra os movimentos sociais de maneira geral. A senadora disse que a luta dos que mais precisam está ameaçada. Ela e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) fizeram um apelo à Mesa para que intercedesse em favor dos índios.

Comissão de índios

Em resposta, a senadora Ângela Portela, que presidia a sessão, informou que a Mesa já havia determinado à Polícia Legislativa a interferência para conter e acompanhar a violência contra os povos indígenas.

Mais tarde, o presidente do senado Eunício Oliveira (PMDB-CE) declarou que a Presidência do Senado nunca deixou de estar aberta ao diálogo e que a Polícia Legislativa não foi responsável por nenhum tipo de agressão aos índios. O senador se propôs a receber uma comissão de indígenas na presidência do Senado na próxima quarta-feira (26).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)