Sindicalistas anunciam na CDH mobilização contra a reforma da Previdência

Da Redação | 27/03/2017, 15h51 - ATUALIZADO EM 27/03/2017, 16h00

Centrais sindicais preparam uma grande mobilização para abril, com previsão de uma greve geral, em protesto à reforma da Previdência, anunciaram nesta segunda-feira (27) os líderes de sindicatos e associações que participaram de audiência pública na  Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

Eles manifestaram oposição às reformas previdenciária e trabalhista, propostas pelo governo de Michel Temer. De acordo com o presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, as centrais estão reunidas nesta segunda para decidir a data dessa paralisação geral. Ubiraci e os demais convidados afirmaram que a população está majoritariamente contra a reforma, e já começou a se manifestar com vídeos, pelas redes sociais e pelas ruas em vários municípios.

— O trabalhador sabe que não vai se aposentar. Ele vê por cima a proposta do governo, ele sabe que não vai se aposentar. O que estão querendo fazer é terra arrasada. É política de ave de rapina para arrasar o Brasil — disse Ubiraci.

O senador Paulo Paim (PT-RS), que preside a CDH e requereu a realização da audiência pública, disse perceber, em suas viagens pelo país, as pessoas comentando o assunto e se mostrando contrárias às propostas de Temer.

Mobilização

Para o secretário-geral da Nova Central Sindical dos Trabalhadores, Moacyr Roberto Tesch, a população só se mobilizou da forma como está agora na época das Diretas Já.

— Temos a convicção de que a sociedade, eu acho que só na época das Diretas Já, se mobilizou dessa forma, porque aonde quer que a gente vá existe alguém falando da maldade que esse governo está fazendo. E a facilidade hoje das redes sociais tem nos ajudado e muito nessa divulgação — disse.

Paim exibiu alguns vídeos na audiência pública, mostrando a indignação de trabalhadores com a proposta do governo de reforma da previdência. O primeiro mostrou uma trabalhadora rural e o segundo um trabalhador da construção civil. Segundo Paim, os vídeos têm se tornado cada vez mais comuns, o que mostra a mobilização popular.

Durante a audiência, os participantes criticaram vários aspectos da proposta, com a idade única para homens e mulheres, o aumento dos anos de contribuição, a fatia da reforma para as esferas federal, estadual e municipal, o argumento de déficit na Previdência. Para todos os aspectos, uma só conclusão, segundo os participantes: a reforma é uma provocação à sociedade brasileira e representaria o fim da Previdência no país.

— Esse governo está desafiando o povo brasileiro. O povo brasileiro vai às ruas. Uma hora vai ter um milhão, dois milhões nas ruas e quero ver como esse governo vai segurar — disse Paim.

Ao final da reunião, o senador disse que a CDH fará toda semana audiências públicas sobre a reforma da previdência, com foco em aspectos diferentes, como idosos e pessoas com deficiência, pessoas com direito à aposentadoria especial, trabalhadores rurais e estudantes.

Conflito de interesses

O presidente regional da Central Pública do Servidor, Thiago Botelho, criticou o secretário da Previdência, Marcelo Caetano, por fazer parte do conselho de administração da BrasilPrev, empresa de previdência privada do Banco do Brasil.

— Não pode quem está gerindo o fim da Previdência estar do outro lado da mesa, defendendo a previdência privada — disse.

Thiago afirmou que Marcelo Caetano é remunerado e está fazendo a estratégia para quem vai trabalhar com a previdência privada. Ele disse que, com o conflito de interesses, já foi feita a denúncia junto ao Conselho de Ética da Presidência da República e que o caso está na agenda do conselho para ser julgado nesta segunda-feira.

— Esperamos que isso seja colocado em julgamento e seja uma resposta adequada — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)