Operação Carne Fraca: Gleisi cobra explicações de Serraglio e de diretor da Polífica Federal na CCJ

Da Redação | 22/03/2017, 15h47 - ATUALIZADO EM 22/03/2017, 16h02

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) propôs à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), nesta quarta-feira (22), a convocação do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, e do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello. Apesar da insistência da senadora para que o requerimento fosse votado na reunião desta quarta-feira, o presidente da CCJ, senador Edison Lobão (PMDB-MA), mencionou norma da comissão segundo a qual a leitura do requerimento em uma reunião e a votação apenas na sessão seguinte, para não colocá-lo em pauta.

Gleisi Hoffmann disse que a Operação Carne Fraca foi conduzida com "estardalhaço irresponsável", prejudicando o setor produtivo, mas revelou o "envolvimento extremamente grave" de membros do governo nas irregularidades. Para a senadora, a participação do ministro da Justiça, Osmar Serraglio, no episódio deveria ter causado sua imediata destituição do cargo.

— É totalmente absurdo que, seis dias após a divulgação de gravações da Polícia Federal, em que o ministro aparece em conversa com o fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, considerado líder do esquema de corrupção investigado na Operação Carne Fraca, a quem chama de "grande chefe" e pede sua intervenção para resolver um problema em um frigorífico do Paraná, ainda esteja no cargo, sem se dar qualquer explicação sobre sua participação no esquema de corrupção — acrescentou.

"Pleito legítimo"

O senador José Medeiros (PSD-MT) disse não ter ouvido na conversa grampeada pela Polícia Federal nada que pudesse macular o ministro. Para ele, trata-se de pleito legítimo de um parlamentar diante da possibilidade de fechamento de um frigorífico e dos reflexos na economia no estado, com a demissão de empregados. Medeiros considerou "deplorável, deprimente e inaceitável" reduzir um grave problema pelo qual o país passa a uma questão da política local.

Em resposta a Medeiros, Gleisi afirmou que não se trata de um problema paroquial de seu estado. Para ela, o Paraná foi o epicentro da crise, pelo fato de 20 dos 21 frigoríficos sob suspeita estarem no estado. Ainda conforme a senadora, "são frigoríficos que têm ligação com a bancada de deputados do PMDB do estado e, principalmente, com esse senhor Osmar Serraglio, que ocupa o Ministério da Justiça".

Convite

Por sugestão do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o requerimento de convocação foi transformado em requerimento de convite. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que, quando presidiu a Comissão de Educação, adotou uma alternativa: que o pedido seja feito através de um convite, mas com a alternativa de que, se não for atendido prontamente, transforme-se numa convocação.

Magno Malta (PR-ES) apoiou o convite ao ministro e ao diretor da Polícia Federal e considerou oportunos os esclarecimentos que eles poderão prestar. Para ele, está claro que o foco da investigação da Polícia Federal foi a corrupção no sistema de inspeção sanitária e não a qualidade dos produtos inspecionados. Se apareceram algumas distorções, acrescentou, elas "jamais poderão macular o todo, que é o nosso volume de exportações para o mundo".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)