Belluzzo pede 'olhar humano' para solucionar a crise econômica

Sergio Vieira | 22/11/2016, 15h51 - ATUALIZADO EM 25/11/2016, 15h23

Em sua fala durante a sessão temática que discute a PEC do Teto de Gastos (PEC 55/2016), nesta terça-feira (22), o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, da Universidade de Campinas (Unicamp), acredita que o país e o Senado poderiam estudar outras alternativas para superar a crise econômica.

Entre as opções, ele propõe recorrer à participação brasileira no Banco dos Brics, por meio da emissão de debentures condicionada a investimentos produtivos, lembrando que a instituição está aberta a negociações.

Belluzzo afirmou que a atual crise fiscal seria consequência, entre outras razões, da adoção de políticas recessivas a partir de 2015, realizadas pelo ex-ministro Joaquim Levy, além de desonerações equivocadas praticadas nos anos anteriores.

O economista disse também não ver consistência na tese de que uma suposta retomada da confiança por parte dos empresários, após a aprovação da PEC, provocaria a retomada dos investimentos.

— Tenho contato diário com empresários paulistas e com diretores de bancos, consequência da minha atividade. Muitos empresários não conseguem sequer pagar os serviços da dívida, por causa do choque de juros. Reestruturam as dívidas e, duas semanas depois, já não conseguem mais honrar — argumentou.

Economia parada

Para Belluzzo, o Brasil é vítima de uma interrupção brutal no ciclo de formação da renda e do emprego, uma das consequências dos erros de Levy. E a PEC 55 "radicalizaria" esta opção de política econômica.

— Vivemos hoje a pior crise da nossa história, com uma queda no PIB de 9% somando 2015 e 2016 — afirmou, temendo o agravamento das tensões sociais.

O economista explicou que atualmente, ao contrário da depressão na década de 1930 do século passado, temos 80% da população vivendo em áreas urbanas. E lembrou que naquela época o presidente Getúlio Vargas optou por políticas anticíclicas para que o país superasse a crise.

Por isso, ele alerta que é o momento tanto de economistas quanto dos homens públicos terem um "olhar humano", em virtude do aumento brutal do desemprego que vem afetando trabalhadores e prestadores de serviços, inclusive de alta renda.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)