Trabalhadores em educação pedem valorização do setor e universidade democrática

Da Redação | 10/11/2016, 18h38 - ATUALIZADO EM 10/11/2016, 19h49

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) promoveu, na tarde desta quinta-feira (10), um debate sobre o papel dos trabalhadores em educação na construção de uma universidade mais democrática na América Latina e no Caribe. A audiência pública foi uma sugestão da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e contou com representantes de vários países da América Latina.

A coordenadora-geral da Fasubra, Leia Oliveira, criticou as políticas do governo para a educação e disse que a sociedade precisa lutar “contra o desmonte do estado” e pela valorização do ensino público. Ela sugeriu a criação de uma federação internacional de técnicos-administrativos das universidades da América Latina e do Caribe e lamentou que muitas vezes o técnico que trabalha nas universidades tenha um papel “invisível”, já que o foco está nos professores e nos alunos. Ela ainda cobrou políticas de permanência para os alunos e mais valorização para os técnicos.

- A universidade ainda precisa caminhar muito para ser considerada, de fato, democrática – afirmou.

União

O secretário-adjunto da Asociacion del Personal no Docente de la Universidad de Buenos Aires, Marcelo Di Stefano, afirmou que a criação de uma grande federação latina é um sonho para toda a categoria dos trabalhadores das universidades. Ele criticou o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, arriscou um “fora Temer” e pediu a união dos povos latinos por uma educação de qualidade na região. Para o secretário, a educação exige um debate mais inclusivo, com a participação mais efetiva dos trabalhadores.

- A educação é um assunto muito importante para ficar na mão de poucos, ou só na mão de políticos – pediu Di Stefano.

Representantes da República Dominicana, da Nicarágua, do Equador, da Costa Rica e da Bolívia também participaram do debate. Para a secretária da Federación de Sindicatos de Trabajadores Universitarios de Nicaragua, Mercedes Sanchez, o investimento em educação pode garantir uma democracia mais efetiva. Ela ainda pediu mais união dos trabalhadores da educação, pois “desunidos somos nada, mas unidos somos tudo”.

O secretário Geral da Agremiación Federal de Funcionarios de la Universidad de la República do Uruguai, Daniel Oliveira, chamou o impeachment da ex-presidente Dilma de “farsa” e criticou a PEC do Teto dos Gastos (PEC 55/2016). Para ele, a medida pode reduzir recursos para a educação e comprometer as gerações futuras do Brasil. Oliveira ainda cobrou uma “voz mais ativa” dos trabalhadores dentro das universidades e mais investimentos na educação pública.

- Com universidades mais fortes, teremos países mais livres – declarou.

Futuro positivo

O presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), agradeceu a participação dos representantes dos “países amigos” e lembrou que a busca da integração cultural e política do Brasil com a América Latina está prevista na Constituição de 1988. Paim também elogiou os estudantes brasileiros, que estão ocupando “mais de 1.200 escolas e universidades” em defesa da educação. Ele ainda afirmou que justiça social e democracia são valores que caminham juntos e lamentou algumas políticas restritivas do governo, que poderão prejudicar a vida dos mais pobres.

- A educação tem papel importante na construção de um futuro positivo.  Privar um indivíduo da igualdade de oportunidades é uma séria violação dos direitos humanos – disse Paim.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)