Presidente do Banco Central: reformas fiscais vão restaurar confiança econômica

Da Redação | 04/10/2016, 13h35 - ATUALIZADO EM 04/10/2016, 21h41

Em audiência pública, nesta terça-feira (4), na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou que o país precisa aproveitar o atual período favorável às economias emergentes no cenário internacional. Segundo Goldfajn, esse período oferece condições favoráveis de financiamento às economias emergentes e alguma recuperação da atividade global. Para o presidente do BC, a ênfase atual, no Brasil, deve ser na aprovação das reformas fiscais, que contribuirão para restaurar a confiança econômica.

— Precisamos aproveitar a janela de oportunidade proporcionada pelo interregno benigno no cenário global e fazer os ajustes necessários. A ênfase atual deve ser na aprovação das reformas capazes de restaurar a confiança e criar as condições para a recuperação econômica com inflação estável e baixa — afirmou.

O presidente do Banco Central explicou que, atualmente, na economia internacional, ocorre um interregno benigno, ou seja, um intervalo de tempo positivo para as economias emergentes situado entre dois períodos ruins. Isso porque, segundo Goldfajn, o ritmo de crescimento da economia global não é forte o suficiente para a retirada dos estímulos monetários nas principais economias, nem é fraco o bastante para diminuir a demanda por bens ou causar a fuga de capital dos mercados considerados mais arriscados.

— Embora ainda existam incertezas sobre o crescimento da economia global, especialmente sobre a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos, não é provável que esse ambiente favorável dure muito tempo. A medida que o tempo passa, o crescimento das economias avançadas ganhará atenção — disse Goldfajn.

O presidente do BC afirmou também que a economia brasileira dá sinais de estabilização, mas que ainda há desafios relevantes.  Segundo Goldfajn, o PIB do setor industrial interrompeu uma sequencia de cinco semestres consecutivos de retenção e os indicadores de confiança de empresários e consumidores têm crescido há alguns meses. No entanto, o aumento da taxa de desemprego e as perdas no rendimento real dos trabalhadores não cessaram. Para enfrentar os desafios, ele afirmou ser crucial a retomada da confiança por meio das reformas fiscais.

— É fundamental perseverar nos ajustes e na reforma da economia brasileira para reduzir as incertezas, oferecendo perspectiva de crescimento sustentável e inflação baixa e estável ao longo do tempo — opinou.

O investimento em infraestrutura em busca do aumento da produtividade também foi apontado por Goldfajn como relevante para buscar eficiência econômica. Ele explicou que esses investimentos têm efeito “multiplicador, porque, ao reduzir os custos e riscos das atividades produtivas, aumenta o retorno esperado dos outros investimentos na economia”.

Inflação baixa

Ilan Goldfajn afirmou que a melhor forma de retomar o crescimento econômico no país é controlar a inflação. Ele afirmou que a evolução dos preços mostra um processo de desinflação em curso e há perspectivas de continuidade dessa desinflação nos próximos trimestres. No entanto, segundo o presidente do Banco Central, a velocidade dessa desinflação ainda é incerta.

— Temos conduzido a política monetária com a prudência que o momento requer, de forma a garantir uma desinflação sólida e uma recuperação sustentável ao mesmo tempo — disse.

Ele explicou que as expectativas de inflação se encontram atualmente em 5,1% para 2017 e a meta perseguida para o mesmo ano é de 4,5%.

— Reafirmo a Vossas Excelências o compromisso do Copom (Comitê de Política Monetária) com o controle da inflação em todo o horizonte relevante para a política monetária — ressaltou.

Flexibilização

O presidente do BC explicou que a flexibilização das condições monetárias vai depender de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas da inflação. Ele citou o último relatório de inflação do Copom, que destacou como esses fatores a limitação da persistência dos efeitos dos choques de alimentos na inflação; a indicação de desinflação em velocidade adequada pelos componentes do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e a redução da incerteza sobre a aprovação e a implementação dos ajustes necessários na economia.

Em relação ao preço dos alimentos, Goldfjan afirmou que evidências recentes mostram que a queda dos preços ao produtor têm-se refletido no varejo. Em relação ao IPCA, o presidente do BC disse que ainda não se concluiu sobre a velocidade da desinflação em relação à meta. Em relação ao terceiro fator, haveria sinais positivos em relação ao encaminhamento e apreciação das reformas fiscais, mas o processo de tramitação ainda está no início e gera incertezas quanto à aprovação.

— Essas reformas são relevantes para o Banco Central na medida em que têm impacto sobre o balanço de riscos e a trajetória da inflação ao alcance das metas — ressaltou.

Ações do Banco Central

O presidente do BC afirmou que a instituição ainda vai contribuir com a redução prudente e sustentável do custo de crédito, o aumento da eficiência do sistema financeiro, a cidadania financeira, especialmente nos aspectos de educação e proteção, e a modernização do marco legal do Banco Central.

Ele explicou que a regulação e a supervisão do sistema financeiro feitas pelo Banco Central têm trabalhado “com afinco” para que o sistema se mantenha sólido. Goldfajn disse que o sistema financeiro neste ano mostrou-se com boa liquidez e que testes mostram que o sistema brasileiro mantém uma adequada capacidade de suportar choques provocados pelos cenários adversos e mudanças abruptas nas taxas de juros e de câmbio.

— Esses pilares conjugam ações que vão precisar ser feitas no curto, no médio e no longo prazo. Considero que essas ações poderão contribuir sobremaneira para o desenvolvimento do sistema financeiro e da economia brasileira — disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)