Diante da crise, oposição e situação devem se unir pelo Brasil, diz Dilma

Ricardo Westin | 30/08/2016, 00h33 - ATUALIZADO EM 30/08/2016, 15h20

A presidente afastada Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira (29) no Plenário do Senado que o país precisa tirar uma lição das crises política e econômica que levaram ao processo de impeachment. De acordo com Dilma, a guerra entre governo e oposição deflagrada a partir da reeleição dela impediu que projetos de ajuste fiscal fossem aprovados para o bem do Brasil.

— Acho que é uma experiência para o futuro deste país. Diante da crise, é de bom tom que a oposição e a situação se unam pelo bem do Brasil. Depois que o momento mais difícil passar, podem voltar a brigar o quanto quiserem — disse a presidente no fim de seu depoimento, ao responder aos questionamentos feitos por Miguel Reale Junior e Janaina Paschoal, advogados de acusação.

Dilma explicou que até o fim da corrida presidencial de 2014 não tinha como saber que as contas públicas se deteriorariam. De acordo com ela, isso aconteceu porque no final do ano o preço de commodities brasileiras, como o petróleo, o minério de ferro e produtos agrícolas, despencou repentinamente no mercado internacional, derrubando a arrecadação federal com os impostos incidentes sobre essas commodities.

— Enquanto isso acontecia, brigávamos por causa da eleição que tinha passado e tentavam impedir que se aprovassem [no Congresso Nacional] as necessárias medidas de recomposição. Elas não foram aprovadas ou foram parcialmente aprovadas. O então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e a oposição a mim aprovavam gastos quando deveriam aprovar ajustes, apostando no “quanto pior melhor”. Acabaram embutindo neste país uma crise de dimensões gigantescas.

Dirigindo-se aos senadores, a presidente afastada acrescentou:

— Acho que todos aqui somos responsáveis perante a nação. Temos que aprender a não voltar a fazer mal a nós mesmos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)