José Aníbal homenageia Franco Montoro no centenário de seu nascimento

Da Redação e Da Rádio Senado | 06/07/2016, 21h08 - ATUALIZADO EM 13/07/2016, 17h54

O senador José Aníbal (PSDB-SP) homenageou o ex-senador e ex-governador de São Paulo André Franco Montoro, que completaria 100 anos no próximo dia 14 de julho.

José Aníbal lembrou que foi Franco Montoro quem convocou, no final de 1983, o famoso comício da campanha pelas eleições diretas para a Presidência da República, que ficou conhecida como "campanha das Diretas Já", na Praça da Sé, em São Paulo. O comício reuniu, no dia do aniversário da cidade, 25 de janeiro de 1984, milhares de pessoas, marcando a largada da campanha pelas eleições diretas no país.

— Perguntaram a ele: "Governador, quantas pessoas estão neste ato? 100, 200 ou 300 mil?" E ele respondeu: "Eu não sei quantas, eu sei que o Brasil está aqui". E com aquilo ele mostrou de uma forma extraordinária a percepção que teve de que aquele momento era o que os brasileiros todos esperavam para manifestar o seu desejo de democracia, de recuperar as eleições diretas, e a partir daí a gente conhece toda a história — contou.

O senador salientou também a importância do político à frente do governo paulista, para o qual foi eleito em 1982.

— Montoro foi o grande governador que São Paulo teve, que estimulou as ações nas regiões, que dividiu o Estado em 42 grandes regiões administrativas e que, com isso, tornou muito mais eficiente a gestão pública de São Paulo — afirmou.

O olhar especial sobre a América Latina foi outro atributo de Montoro ressaltado por José Aníbal.

— Ele trabalhou muito sobre isto, como eu não vi presente em nenhum outro político brasileiro: a sensibilidade dele para a América do Sul. Era um olhar não só para o Atlântico, mas para o Pacífico — disse.

Tancredo Neves

Em aparte, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) destacou que deve-se a Franco Montoro a indicação de seu avô, Tancredo Neves, como candidato das oposições à Presidência da República já no início do processo de redemocratização, no final do regime militar.

— Era ele o mais importante líder da oposição quando se elege governador de São Paulo em 1982. Era absolutamente natural que fosse o nome consensual por parte das principais lideranças. Lembro-me de uma antológica reunião no Palácio Bandeirantes, quando Montoro pede a palavra e, mostrando um extraordinário desprendimento, ali indica o então governador eleito de Minas Gerais, Tancredo Neves, como o nome que poderia melhor representar o conjunto das forças de oposição e mais rapidamente construir a saída do Brasil do regime autoritário. Tancredo levou-o na alma e no coração durante toda a sua existência — lembrou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)