Antes da leitura do parecer, base do governo questiona isenção do relator

Da Redação | 04/05/2016, 15h56 - ATUALIZADO EM 11/08/2016, 17h47

Antes do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) começar a ler seu parecer na reunião desta quarta-feira (4), uma série de questões de ordem foram apresentadas por senadores governistas. Todas foram indeferidas pelo presidente da Comissão Especial do Impeachment, Raimundo Lira (PMDB-PB), e motivaram discussão com parlamentares da oposição, que reclamaram de uma tentativa do governo de atrasar o processo.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) voltou a reclamar da ausência do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) durante parte da apresentação dos argumentos da defesa do governo. Anastasia argumentou que precisava de tempo para escrever o relatório, mas a senadora não ficou satisfeita com a resposta do relator e pediu que fosse registrado seu descontentamento:

— Admitirmos esse comportamento do senhor relator é dar ao país a certeza de que estamos diante de uma situação já definida, um julgamento já dado, uma farsa e não um julgamento correto como deve ser. Portanto, eu quero que fique registrado isso, nesse processo e em ata, sobre esse comportamento em relação à ausência ontem do relator no final da oitiva das testemunhas de defesa  — disse Gleisi.

Raimundo Lira respondeu que não é razoável contestar a ausência, já que a sessão durou cerca de 12 horas.

— A sua ausência esporádica durante alguns minutos e já no encerramento dos debates não invalida ou sequer constrange os trabalhos da comissão, até mesmo porque a íntegra dos debates encontra-se registrada nas notas taquigráficas, nos registros de áudio e vídeo e foi acompanhada pelas equipes de assessoramento à disposição da comissão — avaliou.

O presidente da comissão também indeferiu questão de ordem do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O petista questionou a escolha de Anastasia como relator que, segundo Lindbergh, não teria isenção por ser do PSDB. O parlamentar fluminense afirmou ainda que Anastasia, quando  governador de Minas Gerais, editou decretos de crédito suplementar da mesma forma que Dilma Rousseff.

— Ele não tem condições de ser relator porque ele fez os mesmos decretos e, muito pior, porque não cumpriu a meta de superávit primário e não respeitou o que diz a Constituição em relação a investimento de educação e saúde — acusou.

Anastasia rebateu a questão de ordem levantada por Lindbergh dizendo que a legislação dos estados é mais flexível do que a federal e que não é possível, por isso, comparar as ações dele com as de Dilma.

— Os estados têm mais flexibilidade. Se é certa ou errada essa flexibilidade, não sou eu que vou julgar — afirmou.

Raimundo Lira lembrou que a questão da suspeição já havia sido decidida em outra reunião, não cabendo mais discussão.

Parlamentares da oposição, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), se queixaram do número excessivo de questões de ordem que estariam sendo apresentadas por senadores da base do governo para postergar o impedimento da presidente Dilma Rousseff e "agredir o relator".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)