Lideranças cobram melhorias no sistema de defesa e inspeção sanitária

Da Redação | 13/11/2015, 16h50 - ATUALIZADO EM 13/11/2015, 19h00

Lideranças do setor produtivo rural e de trabalhadores rurais de Santa Catarina defenderam na sexta-feira a unificação das regras de inspeção sanitária em todo o país. Também pediram a capacitação de agentes de educação sanitária para o setor agropecuário.

As reivindicações foram feitas em seminário promovido pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) na Associação das Câmaras Municipais do Oeste Catarinense (Acamosc). O evento contou com a participação do senador Dario Berger (PMDB-SC).

O seminário integra ciclo de debates promovido pela CRA no biênio 2015-2016 com o objetivo de avaliar a política de defesa agropecuária desenvolvida no âmbito do Poder Executivo, conforme prevê o regimento interno do Senado.

Dario Berger pretende elaborar um amplo diagnóstico sobre a defesa agropecuária no Brasil, a partir do padrão de excelência de Santa Catarina, e apresentá-lo à comissão, na qual poderá ser transformado em projeto de lei.

O senador disse que é preciso discutir a participação do setor privado na complementação de ações desenvolvidas pelo setor público no campo da defesa agropecuária e do serviço de inspeção animal. Ele defendeu a implantação de um plano nacional de segurança alimentar e sanidade animal para o período 2016-2020, com base no modelo vigente em Santa Catarina.

Agronegócio

— O agronegócio exerce papel fundamental e vital no desenvolvimento econômico do Brasil. Responde por 23% do PIB e por 40% de todas as exportações brasileiras. Não podemos ficar inertes, para que possamos continuar avançando nesse setor — afirmou.

Segundo ele, Santa Catarina é referência em qualidade sanitária para o Brasil inteiro, sendo o único estado livre da febre aftosa e da febre suína. Isso abriu possibilidade para novos negócios, destacou Dário. No passado, o comércio dos produtores locais era mais intenso com o Mercosul. Hoje o estado exporta também para Estados Unidos, Cingapura e Japão e se prepara para conquistar a Coréia do sul, um maiores importadores de carne suína do mundo.

Inspeção sanitária

Santa Catarina mantém 63 barreiras sanitárias em suas divisas e conta com aproximadamente mil pequenas indústrias com serviço de inspeção estadual e municipal. A presidente da CRA, Ana Amélia (PP-RS), destacou a importância da inspeção sanitária para a economia do país e a segurança do consumidor.

— Cada vez que o consumidor vai ao mercado comprar carne não tem ideia de que por ali passou a inspeção agropecuária. A carne diz respeito à saúde pública — explicou.

Por isso, o secretário de Agricultura de Santa Catarina, Moacir Sopelsa, pediu mais investimentos na atividade:

— As empresas estão carentes de profissionais que possam estar à disposição dos produtores. É preciso mais laboratórios, mais técnicos. Estamos um pouco longe da realidade que precisamos criar para assegurar a produção que o país tem — afirmou.

Superintendente federal de Agricultura em Santa Catarina, Jacir Massi disse que o Ministério da Agricultura tem ajudado o estado a promover o desenvolvimento agrícola. Segundo ele, há 4.928 servidores envolvidos no processo de fiscalização agropecuária.

Já o diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados, Ricardo Gouvêa, cobrou parceria de toda a cadeia produtiva para reforçar a inspeção sanitária, além de um sistema de defesa com recursos próprios.

— A Tailândia tem uma doença devastadora da qual levou mais de dez anos para se recuperar. O México tem a doença da carne. Problemas no mundo devastam a produção. Por isso, o sistema de defesa sanitária deve estar na pauta estratégica — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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