Senado debate o autismo e os desafios da educação inclusiva

Da Redação | 23/04/2015, 18h30 - ATUALIZADO EM 23/04/2015, 19h39

"Um dos nossos objetivos é retirar das sombras as pessoas com autismo". Esse foi o recado dado pelo senador Romário (PSB-RJ) ao abrir o seminário Autismo e os Desafios da Educação Inclusiva, nesta quinta-feira (23), no Senado.

O encontro, marcado para o auditório do Interlegis – com capacidade para 200 pessoas - atraiu mais interessados e telões tiveram que ser instalados em três salas de comissões do Senado. Mesmo assim, teve quem acompanhasse as discussões de pé. Eram pais, educadores e outros profissionais que reservaram a calorenta tarde de quinta para tentar tirar da sombra o tema autismo.

A sombra convida ao preconceito. No debate, que reuniu experiências no Brasil e no Reino Unido nos cuidados ao autismo, o embaixador do Reino Unido no Brasil, Alex Ellis, fez um relato sobre as muitas vezes em que percebeu seu filho ser mal tratado nas escolas.

Alex é pai de Thomas, que tem síndrome de Asperger, um transtorno bastante relacionado ao autismo. De acordo com o embaixador, o preconceito, no entanto, nunca veio dos colegas de colégio nem tampouco dos professores, mas dos pais das crianças. Eles temiam que o baixo desempenho de Thomas prejudicasse os resultados da escola.

— Por favor, nas festas de aniversário das crianças do colégio convidem todas. Não excluam os deficientes. Isso é muito importante — pediu o embaixador.

As experiências de Alex são como pai de um jovem com síndrome de Asperger. No outro lado do balcão está Di Roberts, que é da Associação das Escolas Técnicas do Reino Unido e reitora do Brockenhurst College. Na escola estudam cerca de três mil alunos entre 16 e 18 anos em regime de tempo integral. Deste total, mil têm necessidades especiais de educação e 150 são autistas. No atendimento a esse público, segundo ela, são desenvolvidas técnicas especiais para possibilitar a esses jovens uma vida mais independente, além de prepará-los ao mercado de trabalho e ao ensino superior.

A realidade das escolas brasileiras é bastante distinta, como revelou a pedagoga Cláudia Moraes. Ela lembrou que a educação é um problema no país e não apenas para as crianças com necessidades especiais, mas para quase todas. Salientou ainda que são imensos os desafios para uma educação inclusiva no Brasil.

— Para construirmos um programa inclusivo de resultados devemos manter equipes de especialistas nas escolas, como psicólogos e fonoaudiólogos. Estabelecer parceria com profissionais que atuam com esses alunos fora dos colégios. Precisamos também de treinamento continuo de todos os profissionais da escolas, além de desenvolver um trabalho em conjunto com as famílias, explicou a pedagoga.

A cumprimento à Lei 12.764/12, que traz a política nacional de proteção aos direitos dos autistas, foi bastante cobrada durante as discussões. O senador Romário ressaltou que o Brasil está longe do ideal em políticas públicas para os cuidados das pessoas com deficiências e autistas.

Somado a isso, segundo Romário, a sociedade ainda resiste e discrimina esses indivíduos. Daí a urgência de uma revolução na cultura ao tratamento aos que têm necessidades especiais, sejam elas quais forem.

— Eu tenho a certeza que depois deste evento as pessoas deverão se conscientizar melhor e começar olhar de uma forma diferenciada e mais humana para todos esses indivíduos — disse o senador.

A Organização das Nações Unidas estima que há 70 milhões de autistas no mundo. No Brasil faltam dados precisos, mas são estimados dois milhões. O transtorno autista afeta a capacidade de interação social, a comunicação e o comportamento. É mais comum em meninos do que em meninas e os sinais ficam mais evidentes após os três anos de idade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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