Apuração não identificou contato de ex-executivo com funcionários da Petrobras, afirma Graça Foster

Anderson Vieira e bortoni | 11/06/2014, 21h20

A presidente da Petrobras, Graça Foster, disse à CPI mista que investiga denúncias envolvendo a empresa que não tem nenhuma informação sobre as acusações ao ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa além do que lê na imprensa. O ex-executivo, que estava livre desde 19 de maio, voltou a ser preso nesta quarta-feira (11), sob a alegação de que poderia fugir do país. Ele teria cerca de US$ 23 milhões depositados em bancos suíços.

- Não tenho nada a dizer sobre isso. É um assunto que estarrece a todos nós. Quando a gente lê sobre suspeitas de operações criminosas ficamos muito envergonhados - disse Graça.

A presidente acrescentou que uma comissão interna foi encarregada de investigar se Paulo Roberto Costa atuou como lobista e se, nessa condição, conseguiu contratos para prestadoras de serviço. Segundo ela, a apuração está quase concluída e não foi identificado qualquer contato entre empregados da Petrobras e o ex-diretor. Ela também assegurou que a companhia não tem contratos com empresas do doleiro Alberto Youssef, também preso, que teria relações com Paulo Roberto Costa.

Ao explicar a atuação do ex-executivo nas obras da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, Graça Foster informou que o ex-diretor de Abastecimento não tinha a palavra final sobre contratos e aditivos. Segundo ela, os contratos são aprovados pela diretoria.

Depoimento

O relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS), esclareceu que cabe ao presidente da comissão parlamentar de inquérito, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), definir a data do depoimento de Paulo Roberto Costa. Ele lembrou que comissão já aprovou sua convocação, bem como o compartilhamento de documentos colhidos na Operação Lava Jato, que resultou na prisão de Costa e Youssef. Segundo Maia, é importante confrontar as versões do ex-executivo com as dos demais depoentes, inclusive Graça Foster.

- Não tenho neste momento que estar satisfeito ou não com as declarações que são dadas. Vamos investigar ainda. Há dados e informações que vão chegar. Atas de reuniões. Contratos que foram firmados. Opiniões e posições que foram tomadas dentro da Petrobras. Lá na frente vamos ter condições de confrontar todas as informações e vamos saber se isso foi verdadeiro ou não – disse Maia.

Paulo Roberto Costa é acusado de envolvimento em esquema que pode ter movimentado R$ 10 bilhões. O Ministério Público também suspeita que ele tenha usado a função de diretor da Petrobras para superfaturar contratos e desviar dinheiro para empresas do doleiro Alberto Youssef.

Em depoimento à CPI exclusiva do Senado, nesta terça-feira (10), Costa negou as acusações de fraude em contratos e garantiu não saber que Youssef atuava como doleiro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)