Requião critica decisões editoriais da TV Senado e Jornal do Senado

José Paulo Tupynambá | 13/08/2013, 17h35

O senador Roberto Requião (PMDB-PR) conclamou os senadores a repudiar o que chamou de “infelicíssima decisão” da TV Senado de transferir para depois das 23h a reprise das sessões plenárias. No mesmo pronunciamento, Requião criticou o Jornal do Senado por "esconder" parte de uma pesquisa do DataSenado que mostra reprovação popular pelos trabalhos da Casa.

Requião pediu ao presidente do Senado, Renan Calheiros, o retorno ao modelo anterior, com a reprise das sessões plenárias no "horário nobre".

- Algum senador foi consultado sobre essa mudança da programação? Com certeza, não. Quando as ruas pedem transparência, vamos esconder o nosso trabalho na clandestinidade das madrugadas. O presidente Renan Calheiros concorda com isso? Ele acha que essa é parte da pauta positiva? Acredito que não. Afinal, de quem é a TV Senado? É propriedade dos excepcionais jornalistas que nela trabalham? Nós, senadores, somos um incômodo para esses jornalistas? Será que eles não perceberam ainda que a TV Senado não é uma emissora de variedades à busca de audiência? Será que não sabem que se trata de uma TV institucional, dedicada primordialmente à divulgação dos trabalhos da Casa, do Plenário e das comissões? Será que não entendem que a sonegação dessa divulgação é uma censura às nossas atividades de senadores? – questionou o senador.

Para Requião, a substituição dos trabalhos dos senadores por "programas de variedades" impedirá os trabalhadores de verem as atividades da Casa, “porque as reprises das sessões plenárias serão transmitidas na madrugada, quando eles já estão dormindo”. Requião lembrou que, até há pouco tempo, os senadores não podiam escolher seus chefes e subchefes de gabinetes, mesmo tendo “dezenas de milhões de votos”. Votos que agora, para ele, “não são suficientes para garantir nossa presença na TV Senado, no horário nobre”.

- A nossa não é uma TV de diversidades, de novidades. É uma TV institucional. Ela pode até vir a aborrecer pela repetição do Plenário, mas estará aborrecendo com a posição dos senadores eleitos pela população, que assim saberá quem elegeu e poderá até reconsiderar nas próximas eleições. Censura, não! – afirmou.

Apartes

Em aparte, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou que as notícias e a interpretação delas são feitas “pelas centenas de rádios, jornais e televisões que existem Brasil afora”. Para o senador, a TV Senado permite que o eleitor conheça o que diz o senador, ao vivo, e possa julgar o que ele está dizendo. Essa opinião foi corroborada, também em apartes, pelos senadores Alvaro Dias (PSDB-PR), João Capiberibe (PSB-AP), Anibal Diniz (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS).

O senador Pedro Taques (PDT-MT) disse que a TV Senado tem de mostrar as qualidades e os defeitos dos senadores e que não cabe aos jornalistas do Senado, por melhores que sejam, decidir o que será transmitido. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) disse acreditar que a decisão será revista.

Jornal

Requião também protestou pela reportagem publicada pelo Jornal do Senado de sexta-feira (9), baseada em pesquisa efetuada pelo DataSenado, com o título: "Público aprova pauta do Senado após manifestações". No dia seguinte, e baseado na mesma pesquisa, o jornal Metro, de Brasília, publicou a seguinte manchete: "Ações do Congresso Nacional depois dos protestos são reprovadas".

- Como o público pode ter aprovado a pauta do Senado se, conforme a pesquisa, 65,3% dos entrevistados consideraram nossa atuação ruim ou péssima e só 5,5% aprovaram? O Jornal do Senado simplesmente escondeu parte da pesquisa. Revelou somente os dados sobre a tal da agenda positiva e escondeu a avaliação global do Congresso Nacional. Que feio! Aqui no Senado, não! Não sei se gostam ou não gostam, mas eu não me elegi senador com quase três milhões de votos no Paraná para ser substituído, censurado, reduzido ou editado por jornalistas, nem da Rede Globo, nem do SBT e muito menos por funcionários do Senado da República - afirmou o parlamentar.

A notícia do Jornal do Senado, para Requião, é “uma inutilidade, talvez feita para nos agradar”. Ele lamentou que o jornal diga que os senadores estão sendo elogiados e aprovados pela população, “quando a própria pesquisa da DataSenado mostra uma repulsa enorme pelo Parlamento, pelo Senado, pelo Congresso”. Requião disse que a versão editada pelo Jornal do Senado não o satisfaz, não lhe agrada e é absolutamente desnecessária.

- Acho absolutamente desnecessário o esforço da nossa comunicação para interpretar uma pesquisa de opinião de uma forma equivocada a favor da Casa. Precisamos conhecer a verdade por inteiro e passar por inteiro as nossas verdades à população. Essa reinterpretação da pesquisa é rigorosamente absurda, e o Senado não precisa disso – finalizou.

A pesquisa

A pesquisa da DataSenado colheu a opinião de 9 mil pessoas, pela Internet. De acordo com os resultados, mais de 60% das opiniões aprovaram a maioria dos projetos da agenda prioritária, votados pelos parlamentares em julho, mês de realização da pesquisa.

Os números mostram, porém, descontentamento dos internautas consultados com o Congresso: 40,9% consideram "péssima" a atuação do Legislativo federal; 24,4% acham que a atuação é "ruim"; 26,9% consideram "regular"; enquanto apenas 4,8% vêem a atuação do Congresso como "boa" e somente 0,7% a classificam como "ótima". Para 42,8% dos consultados as manifestações vão aumentar; 33,7% acham que permanecerão iguais; e 17,1% acreditam que diminuirão.

Ainda segundo os resultados divulgados, 61,3% acreditam que o país deve mudar para melhor. Entre os que responderam ao questionário, 39,1% afirmaram ter participado das manifestações e 74,8% manifestaram disposição de voltar às ruas, caso não aconteçam as mudanças desejadas.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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