Niemeyer engajou-se na política e foi amigo de Prestes e Fidel

Helena Daltro Pontual | 05/12/2012, 22h55

Oscar Niemeyer destacou-se não só pelas obras arquitetônicas, mas também por suas posições políticas, a partir do momento em que decidiu se filiar ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), em 1945. Nesse percurso, fez amizades com vários líderes comunistas, incluindo Fidel Castro e Luís Carlos Prestes.

Sua filiação ao PCB ocorreu após conhecer Prestes, militar e político brasileiro, na época secretário-geral do PCB, e conhecido como a figura de maior destaque na história do partido. Simpatizante dos ideais socialistas e da posição do PCB, defensor da política praticada à época pela então União Soviética, Niemeyer emprestou sua casa no Rio de Janeiro a Prestes, que a utilizou para montar o comitê do partido.

A partir da amizade com Prestes, o arquiteto manteve-se, portanto, engajado na política, e sempre foi árduo defensor do PCB. Durante alguns anos do regime militar brasileiro, Niemeyer autoexilou-se na França. Da Europa, partiu para a União Soviética, onde teve encontro com diversos líderes comunistas, ficando amigo pessoal de alguns deles.

Em 2007, Niemeyer presenteou Fidel Castro com um escultura considerada antiamericana: uma figura monstruosa ameaçando um homem que se defende empunhando uma bandeira de Cuba. Enfrentando todas as críticas a respeito das posturas de Fidel Castro frente ao governo de Cuba, Niemeyer sempre defendeu Fidel, de quem se dizia grande admirador.

Num discurso feito por Fidel em 2007, momento em que falou sobre a possibilidade de se afastar do cargo – o que ocorreu posteriormente, por motivo de doença –, o dirigente cubano citou o amigo Niemeyer: “Penso como Niemeyer, que se deve ser consequente até o final”. Essa frase foi repetida por Fidel em sua carta de renúncia, datada de 18 de fevereiro de 2008, quando foi sucedido por seu irmão no comando de Cuba, Raul Castro.

Além do engajamento partidário, Niemeyer tratou de temas políticos em artigos, crônicas, romances e contos que escreveu. No livro Sem Rodeios (2006), os personagens criados pelo arquiteto falam sobre diversos assuntos, entre os quais a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do então presidente norte-americano George Bush. Três dos personagens desse livro induzem o leitor a refletir sobre fatos políticos ocorridos no mundo e a reação das pessoas a esses episódios. Além das questões políticas nacionais e internacionais e da abordagem sobre personalidades de destaque na vida do país, os personagens de Niemeyer discorrem sobre temas como os tsunamis e o Código Da Vinci.

Suas opiniões a respeito de política também foram expostas em numerosas crônicas publicadas na imprensa. No livro O Ser e a vida, Niemeyer reflete sobre a importância da literatura na formação do homem e na construção de um país mais justo. Nessa obra, traduzida para o espanhol, o arquiteto publica uma carta enviada por Fidel Castro, a quem cita no livro como “exemplo heróico para a juventude”.

Em outros livros publicados, Niemeyer falou ainda sobre uma variedade de temas, tais como solidão, fragilidade do ser humano, memória dos tempos idos, questões relacionadas ao dinheiro, família, mulheres, amigos, desigualdade social, pobreza e esperança.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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