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Jovens aprendizes discutem gênero, gravidez e sexualidade na adolescência

03/09/2019 16:15

Adolescentes do Programa Jovem Aprendiz participaram, na tarde de sexta-feira (30), de oficina sobre gênero, gravidez na adolescência e métodos anticoncepcionais. Foi o segundo encontro, de uma série de quatro, segundo Maria José Bezerra da Silva, chefe do Serviço de Gestão de Estágios (SGest).

Na primeira atividade, as cinco participantes listaram as características esperadas para o homem e para a mulher, como provedor para ele e sensibilidade para ela. No entanto, para a coordenadora do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça, Teresinha Nunes, os atributos esperados de cada gênero são resultado de construção social, não do sexo biológico da pessoa.

— A sociedade define as características mais adequadas para o homem e para a mulher. A mulher pode ter qualquer dessas características [listadas]. O homem também. Essas amarras de gênero são políticas, não têm vínculo com o biológico. É isso que os estudos de gênero têm mostrado. Essas características são amarras para o homem e para a mulher.

De acordo com Teresinha, se a questão de gênero é resultado de construção social, os padrões podem ser desconstruídos, respeitando, ressaltou, as preferências de cada um.

— Essa é uma mudança que está ocorrendo na sociedade, mas encontra ainda muita resistência. Nós, como seres humanos, precisamos rever nossos posicionamentos.

Pesquisa

Maria José, do Serviço de Estágio, apresentou o resultado da pesquisa realizada no encontro anterior, em 23 de agosto, com 12 adolescentes. Algumas conclusões foram:

• 90% disseram que não gostam do corpo e do tipo físico;

• 70% disseram que é difícil lidar com as mudanças no corpo;

• 80% se sentem como “patinho feio”;

• 90% sofrem com comparações que fazem com outras pessoas;

• 50% vão fazer plástica quando tiver dinheiro;

• 80% desejam ser outra pessoa; e

• 90% prestam atenção no que as pessoas pensam delas.

— É perceptível que não precisam que outros critiquem, vocês mesmas se criticam. Como eu me percebo é importante. Se eu não consigo me ver com carinho, como encarar a sociedade? Se vocês não gostam de si mesmas, como encarar a sexualidade? — disse Maria José.

Para a chefe do Serviço de Estágio, que tem formação em enfermagem e pós-graduação em educação e saúde, a mídia é que diz que tipo de corpo a mulher tem de ter. Por isso, ela agride seu corpo para obter a forma idealizada pela mídia. A consequência, de acordo com Maria José, pode ser frustração, baixa estima, depressão, tristeza e até suicídio.

Gravidez

Ao falar sobre sexualidade responsável, Maria José perguntou por que tantas meninas engravidam. A maioria das adolescentes acredita que a gravidez não vai acontecer com ela. Além disso, afirmou, nem toda gravidez na adolescência é indesejada, nem pela garota nem pelo rapaz.

— Há um culto ao corpo e à erotização em uma sociedade que diz combater a gravidez na adolescência, mas não combate. Tudo é sexo, até o chocolate. A novela, a revista, o rádio. Ensinamos que as crianças a serem criaturas movidas pelo instinto sexual. Hoje também tem os pais frágeis, que não sabem o que dizer aos filhos e estão perdidos.

 

Fonte: Comunicação Interna