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Diretora-geral ouve sugestões e anseios da população negra do Senado

07/10/2019 16:37

A diretora-geral, Ilana Trombka, reuniu-se, nessa quinta-feira (3), com cerca de 60 servidores para dialogar sobre questões referentes ao empoderamento dos negros, ao combate ao racismo e às ações em favor da igualdade de oportunidades no âmbito interno da Casa. Segundo Ilana, o objetivo do encontro foi ouvir, pessoalmente, as demandas e percepções da população negra da Casa.

 

— Tenho várias perguntas e nenhuma resposta e esse encontro é, basicamente, um pedido de ajuda. Preciso de vocês, que têm mais legitimidade porque são negros e pardos, para me dizerem o que precisamos fazer. Porque ações e exposições são muito bacanas, mas vocês podem me dizer que não é apenas isso, que vocês querem debate, propor alguma política ou mostrar para os outros o que é ser negro. Eu sei que eu preciso fazer, mas não sei qual o melhor caminho — disse.

 

Uma das servidoras presentes foi Valneide Nascimento dos Santos, do gabinete da Liderança do PSB. Descendente de quilombolas e com três graduações no currículo – administração, contabilidade e direito –, ela afirma que uma das barreirais para os negros é serem vistos pela qualificação e capacitação que possuem.

 

— Eles [pessoas brancas] nos veem ainda como representantes do movimento negro. A discriminação, muitas vezes, é velada. Você não consegue ver negros e negras em espaço de poder e, quando há, o negro não consegue se enxergar como tal e entender o papel dele ali como profissional e como negro — comentou.

 

Lisandra Melo, chefe do Gabinete do Senador Fabiano Contarato (Rede-ES), comentou como o racismo está presente e ofende quem o sofre. Segundo a servidora, ao se identificar como mulher negra, algumas pessoas tentam tirá-la desse lugar de fala.

 

— O curioso é que se passaram 130 anos da abolição da escravatura, e as pessoas querem nos exterminar. Quando participo de algum movimento negro ou me identifico como negra, escuto ‘não acho você tão negra’ ou ‘você não é negra, você é bonita’ — declarou.

 

Laudeir Borges, do Serviço de Interprogramas da TV Senado, ressaltou o número reduzido de servidores efetivos de cor negra ou parda na Casa.

 

— Há uma barreira estrutural para os negros na sociedade. O Senado, que é um lugar onde muita gente gostaria de trabalhar, tem poucos servidores efetivos negros — destacou.

 

Outra participante foi Adriana Nunes, assessora da Comissão de Direitos Humanos (CDH), que falou sobre a importância de os negros unirem forças e partirem para luta em busca da igualdade. Prestes a concluir a especialização em Justiça, Criminalidade e Direitos Humanos, do ILB, a servidora afirmou que as pesquisas durante o curso ampliaram sua visão sobre a temática.

 

— Eu já me achava valente e, hoje, estou mais. Brigo pelos meus direitos e pelos dos outros. Temos que respeitar uns aos outros. Estou aqui à disposição para contribuir com que for preciso — disse.

 

A ação faz parte das atividades previstas no Plano de Equidade de Gênero e Raça do Senado. Ao fim do encontro, alguns participantes se voluntariaram para participar do grupo que vai discutir, planejar e desenvolver ações voltadas à questão racial.

 

Fonte: Comunicação Interna