Museu do Senado preserva história nacional há 35 anos
Relíquias do império e do início da República ao lado de obras de arte modernistas, da época da construção de Brasília. O Salão Nobre é o espaço em que o Senado conta sua história e a do Brasil. Ali está instalado o Museu do Senado, que estreia o perfil @museudosenado no Instagram neste mês, como parte das comemorações pelo aniversário de 35 anos.
− O Museu está consolidado no circuito de turismo cívico da capital. Recebemos 24 mil visitantes nos cinco primeiros meses deste ano, mas queremos aumentar e diversificar nosso público, estimular a cidadania entre os mais jovens. No Instagram, vamos apresentar a variedade do acervo e falar de arte e muita história, em linguagem acessível - explica Maria Cristina Monteiro, coordenadora do Núcleo de Gestão Museológica (NGMUS).
O aniversário do Museu coincide com a comemoração dos 200 anos da Casa. Por isso, quem visitar o espaço a partir deste mês vai se sentir mais próximo de grandes personagens da história nacional. Princesa Isabel e Rui Barbosa recebem os visitantes no Projeto Visite Encena até dezembro. Os esquetes teatrais tornam o contato com o acervo ainda mais interessante. A Lei Áurea, por exemplo, assinada pela princesa abolicionista, está em exposição logo ali.
Criado em 1991, o Museu apresenta a trajetória do Senado e do País por meio de objetos datados desde o Império. As 1.700 peças históricas e artísticas que integram o acervo estão distribuídas na exposição de longa duração que ocupa o Salão Nobre, também destinado a eventos solenes e recepção de autoridades, e nos corredores e gabinetes da Casa.
Um dos destaques é a imponente pintura que dá as boas-vindas aos visitantes que chegam ao Museu pela entrada lateral do Salão Negro. Com quase três metros de altura e mais de quatro metros de largura, a obra do espanhol Gustavo Hastoy foi presente dos portugueses e retrata a assinatura da primeira constituição da República em 1890, homologada no ano seguinte.
Dessa época, estão em exposição um tinteiro, duas urnas de votação em prata e o mobiliário do plenário, apelidado carinhosamente de “plenarinho”, que ficavam no Palácio Conde dos Arcos, primeira sede do Senado, ainda no Império. Essas peças continuaram em uso no Palácio Monroe, segunda sede da Casa, já na República. Do prédio, demolido em 1976, o Museu exibe lustres e luminárias no estilo cariátide.
− Preservar o patrimônio é cuidar da nossa história. É contar o caminho que percorremos até aqui, promover reflexões. E nosso acervo tem muito a contar, desde o Império até eventos recentes, como a invasão ao Congresso Nacional três anos atrás – destaca a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, em referência à obra “8 de janeiro de 2023”, do artista plástico Vik Muniz.
Se trata da fotografia de um mosaico feito a partir de fragmentos da ocupação, como cacos de vidro e cartuchos de bala, e em exposição permanente no Salão Azul do Senado. Entre outras obras artísticas importantes e mais recentes estão o imponente Painel Vermelho, de Athos Bulcão, que conduz a atenção dos visitantes ao fundo do museu, e o delicado vitral “O lago e os peixes”, de Marianne Peretti, ambos no Salão Nobre.