O Instituto de Pesquisa DataSenado realizou, em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, o Estudo Exploratório de Violência contra as Mulheres Trans e Travestis. O relatório mostra que, embora a violência esteja presente na trajetória de parte expressiva das entrevistadas, poucas buscam ajuda institucional: entre as 32 mulheres trans e travestis que passaram por ao menos uma das situações investigadas, apenas 3 procuraram algum serviço de proteção à mulher.
O estudo reúne achados sobre 43 mulheres trans e travestis identificadas na Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em 2025. Por ter caráter exploratório, os resultados não podem ser expandidos para toda a população de mulheres trans e travestis no Brasil, mas ajudam a compreender situações de violência, discriminação e barreiras de acesso a serviços públicos.
A pesquisa aponta que 47% das entrevistadas relataram ter sofrido violência doméstica ou familiar. Além disso, 56% vivenciaram, nos últimos 12 meses, situações compatíveis com violência, embora apenas 9% tenham declarado explicitamente ter sofrido violência no período. Esse descompasso pode estar relacionado à naturalização de agressões psicológicas, morais, transfóbicas, institucionais ou familiares.
Entre as entrevistadas que sofreram violência doméstica ou familiar, as formas mais frequentes foram a violência psicológica, relatada por 95%, a física, por 80%, e a moral, também por 80%. Em metade dos casos, o agressor era marido, companheiro ou namorado da época.
O levantamento também identificou outras formas de violência e discriminação: 54% relataram desconforto em espaços públicos, 40% afirmaram ter sido agredidas verbalmente por serem trans, 38% relataram mau atendimento em órgãos públicos e 27% em serviços de saúde.
Os achados reforçam a necessidade de produzir dados sobre mulheres trans e travestis, qualificar o atendimento nos serviços públicos e contribuir para construção de conhecimentos que aprimorem ações preventivas.
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