27/06/2019
Homens chegam a ter até seis vezes mais chances de vitória que mulheres nas eleições

Em estudo apresentado hoje pela diretora do Instituto DataSenado, Elga Lopes, no 1º Simpósio Internacional “A importância da Mulher na Construção de um Parlamento Democrático”, constatou-se que, em média, as chances dos homens se elegerem no Brasil equivalem a duas vezes e meia as chances das mulheres serem eleitas. No estado de Goiás, onde há mais disparidade, as chances masculinas são seis vezes que as das mulheres.

Apenas no Amapá e no Distrito Federal as oportunidades para membros dos dois sexos são aproximadas. O Amapá foi o estado com maior percentual de mulheres eleitas em 2018, 31%.

Cotas no Fundo Eleitoral aumentaram o percentual de eleitas em 2018, segundo DataSenado

O estudo do DataSenado revela que nas eleições de 2018 a proporção de mulheres vitoriosas subiu para 15%, 5 pontos percentuais acima da média da série histórica analisada de 1994 a 2018.

A mudança ocorreu simultaneamente à exigência de que os partidos distribuíssem um percentual mínimo de 30% para cada sexo dos recursos públicos de financiamento das campanhas. A obrigatoriedade do patamar mínimo havia sido determinada pelo TSE na consulta formulada por deputadas federais e senadoras da bancada feminina do Congresso Nacional.

Dados trazidos pelo DataSenado revelam que em 2018 as mulheres receberam 29% dos recursos públicos destinados ao financiamento de campanhas, ainda abaixo da cota de 30%, porém mais que o dobro do percentual recebido na eleição anterior (14%, em 2014).

Outro avanço ocorreu no percentual de candidaturas femininas. Pela primeira vez na história, os partidos políticos cumpriram a legislação de cotas. Desde a criação do dispositivo nas eleições proporcionais estaduais e federais, em 1997, o conjunto dos partidos políticos só conseguiu atingir o mínimo de 30% de candidatas no pleito de 2018.

O percentual, de acordo com o levantamento do DataSenado, vinha crescendo desde 2010, quando subiu para cerca de 20%, e em seguida para 29%, em 2014. A tendência de crescimento ocorreu após a Lei 12.034, de 2009, que determinou o preenchimento efetivo de vagas nas listas de candidatos com mulheres, e não apenas a reserva.

Para Elga Lopes, resolver o problema da sub-representação feminina passa pelo combate à desigualdade na competição eleitoral. “Quanto mais instituições e partidos investirem nas candidatas, mais mulheres ocuparão espaços no parlamento brasileiro”, afirma a diretora do Instituto DataSenado.

O estudo da série histórica da participação das mulheres nas eleições foi feito com base nos dados oficiais do TSE. Para a análise das chances de eleição, o DataSenado utilizou o cálculo da medida estatística conhecida como razão de chances (odds ratio, em inglês), que considera as proporções de eleitos e de não-eleitos, por sexo.

Acesse aqui a apresentação feita pela diretora do Instituto DataSenado, Elga Lopes, no 1º Simpósio Internacional "A Importância da Mulher na Construção de um Parlamento Democrático"