Faltam leitos e profissionais nas UTIs
SIMERS
Pacientes se amontoam em corredor de hospital público: vagas insuficientes para todos

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo federal conseguiu reduzir o número de internações de 17 milhões em 2000 para 12 milhões em 2012. Na avaliação dele, a queda é positiva, pois indica que a política de investir em atenção básica e prevenção está surtindo efeito.

“A redução do número de internações significou exatamente a mudança no modelo de organização do serviço de saúde, que apenas começamos. É o primeiro passo de uma longa caminhada, que é cuidar da saúde das pessoas e não só cuidar da doença”, ele disse.

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Segundo o ministro, a maior redução foi nas internações pediátricas. O ministério detectou redução de 30% em internações de crianças acometidas por diarreia, pneumonia e meningite. Padilha lembrou também que o governo começou a distribuir, em junho de 2012, remédio para asma pelo Programa Farmácia Popular. O ministro credita a essa iniciativa a diminuição de 20 mil no número de internações por asma no país em um ano.

Mas Padilha admitiu que ainda há muito a avançar em relação ao acesso aos serviços. Entre as prioridades, está a ampliação de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs). Atualmente, segundo o ministério, o país tem quase 19 mil leitos. Para atender a toda a demanda, seriam necessários mais 2 mil leitos. Mesmo crescendo ao ritmo atual de 800 leitos ao ano, em 2020 o déficit terá chegado a 17 mil leitos.

“Isso significa forte investimento de recursos, não só recursos para comprar equipamento, mas também recursos para manutenção e para um grande investimento em profissionais de saúde, que é o mais complexo de conseguir. Formar médicos com especialização em terapia intensiva é o principal desafio hoje para a ampliação de leitos de UTI”, disse.

A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, afirmou que há previsão de R$ 1,2 bilhão para contratação de médicos e outros profissionais de saúde em 2014, destinados aos 45 hospitais universitários. Em 2015 e 2016, serão empregados mais R$ 2,2 bilhões para dotar esses hospitais de mais leitos de UTI, entre outros serviços de saúde.
O senador Waldemir Moka (PMDB-MS) advertiu que, se não houver uma decisão política, de fato, de alocar mais recursos na saúde, “os hospitais vão continuar superlotados, com atendimento em corredor e em maca, e o médico tendo que decidir quem fica na UTI e quem sai”.

Com 40 anos, campanhas de vacinação colhem bons resultados

Karina Zambrana/Ministério da Saúde
Criança é vacinada: campanhas nacionais conseguiram erradicar a varíola e a pólio no Brasil

Criado em 1973, o Programa Nacional de Imunizações é uma das políticas de saúde mais longevas — e com melhores resultados. Nas últimas décadas, poliomielite, sarampo, rubéola e tétano neonatal foram praticamente eliminados do Brasil e outras doenças, ­controladas.

A eficácia de campanhas de vacinação foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a partir das experiências internacionais contra a varíola, que foi erradicada do planeta. O último caso foi registrado no Brasil em 1971 e, no mundo, em 1977.

A partir da década de 70, as campanhas de imunização brasileiras, antes marcadas pela descontinuidade e pela reduzida área de cobertura, firmaram-se como política pública permanente, imunes às mudanças de governo.

Em 1980, houve a 1ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, com a meta de ­vacinar todas as crianças ­menores de 5 anos em um só dia. Depois de menos de uma década, o Brasil não observava mais casos nativos da doença. Em 1994, recebeu uma certificação de que o vírus causador da doença não mais circula no país.

Além das campanhas de erradicação (poliomielite, sarampo e tétano neonatal), o Brasil promove vacinação em massa para controle de doenças como difteria, coqueluche, tétano acidental, hepatite B, meningites, febre amarela, formas graves da tuberculose, rubéola e caxumba.

Cobertura satisfatória
A partir de dados sobre a aplicação da vacina tríplice bacteriana (DTP, que protege contra a difteria, o tétano e a coqueluche) no ano 2000, um estudo observou que o nível de cobertura vacinal brasileira equivale ao de países desenvolvidos.

A vacina DTP, apesar de ­rotineira, é especializada, tendo em vista que requer três doses e um reforço entre os 2 e os 15 meses de idade, iniciativa para a qual é necessária uma maior organização dos serviços de saúde.

Cerca de 55% dos municípios atingem mais de 95% de cobertura, ainda que em alguns estados (Pará, Maranhão e Amazonas) esse índice seja inferior a 30%, o que evidencia diferenças grandes na organização dos serviços de saúde para o cumprimento das metas.

“No tocante à cobertura vacinal, observou-se que os valores médios nacionais, regionais e estaduais, referentes aos patamares de imunização da vacina DTP, são comparáveis àqueles dos países desenvolvidos”, conclui o estudo Epidemiologia das Desigualdades em Saúde no Brasil, conduzido em 2002 pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e pela Fundação Nacional da Saúde (Funasa).

Samu faz 10 anos e mostra falhas

Pedro Guilhon/PMPA

Inspirado, até mesmo na sigla, no modelo francês, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi lançado pelo governo federal em 2003 para melhorar o socorro à população em casos de emergência. Implementado por meio de parcerias com governos estaduais e prefeituras, contava com 3.041 ambulâncias em dezembro de 2013, conforme o Ministério da Saúde.

O serviço funciona ininterruptamente, com equipes de profissionais de saúde que, conforme a cidade, podem contar até com médicos. Em geral, porém, o atendimento é prestado por enfermeiros, auxiliares de enfermagem e socorristas.

Os chamados dirigidos ao telefone 192 são atendidos por uma das 182 centrais espalhadas pelo país, que abrangem 2.627 municípios e 140 milhões de habitantes (72% da população).

O ministério doa as ­ambulâncias e ajuda na estruturação das centrais de regulação. Depois, as despesas são divididas entre governo federal, estados e municípios. Os investimentos da União com o programa passaram de R$ 432 milhões em 2011 para R$ 531 milhões em 2012.

O Samu ainda conta, em algumas regiões, com helicópteros e “ambulanchas”, usadas particularmente na região amazônica, onde o acesso às pequenas localidades só pode ser feito por rio.

Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, Marrocos, México e Portugal, entre outros países, dispõem de serviço semelhante.

Falhas no sistema
Em 2011, uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, visitou sete estados e mostrou falhas graves no serviço — ambulâncias sucateadas e, ao mesmo tempo, veículos novos sem uso, porque foram doados pelo governo federal antes que as centrais de atendimento estivessem de fato operacionais. Na época da denúncia, o Ministério da Saúde admitiu que 1.200 ambulâncias novas em 14 estados — de um lote de 1.511 doadas no ano anterior — não estavam sendo utilizadas. Esse número, hoje, foi reduzido em 89%, informou a assessoria de imprensa da pasta.

A qualidade do Samu também sofre com as deficiências do sistema de saúde pública em geral. Com os prontos-socorros lotados, mostrou a reportagem, não é raro haver várias ambulâncias estacionadas diante dos hospitais. Enquanto não houver um leito vago, o doente fica na maca da própria ambulância.

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