Escassez de água, mais um desafio
Apesar de ter enormes mananciais, país precisa superar desperdícios e falta de planejamento e de regulação adequada

FOTO: LUIZ AUGUSTO DAIDONE/PREFEITURA DEVARGEM

Represa da Cantareira (SP): a maior metrópole do país enfrenta há meses a ameaça de racionamento de água

 

O Brasil detém 12% da água doce superficial do planeta, mas está diante do perigo real e imediato de ver boa parte de seu território sob racionamento. Para isso, basta que o volume de chuvas, menor que o esperado nos últimos meses, continue em níveis baixos. Esse alerta foi feito aos senadores pelos especialistas convidados pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) e será o tema da próxima edição de Em Discussão!.

O problema não é decorrente, porém, apenas de circunstâncias meteorológicas desfavoráveis. A falta de regulação adequada sobre o uso da água — inclusive para geração de energia — e os constantes atrasos na execução de obras de infraestrutura contribuem bastante, informaram os convidados, para o risco de iminente racionamento de água em grandes centros urbanos e de redução da disponibilidade do recurso mesmo em médias e pequenas cidades. Outro componente a ser enfrentado é o desperdício. Um de cada dois litros de água distribuídos se perde no caminho.

FOTO: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA SENADO
Jorge Viana propôs a realização dos debates sobre escassez de água pelo Senado Federal

De acordo com a Agência Nacional de Águas (Ana), que regula o setor, em 2015 só 29% dos brasileiros terão acesso a um abastecimento satisfatório — 145 milhões dos 202 milhões de habitantes. Como é usual em nosso país, as desigualdades regionais aqui também se fazem presentes: no Norte e no Nordeste, quatro em cada cinco pessoas têm abastecimento deficiente, enquanto no Sul e no Sudeste essa proporção cai para três em cada cinco.

Os debates sobre a situação de abastecimento de água no país, notadamente no semiárido ­nordestino e na região metropolitana de São Paulo, foram realizados por sugestão do senador Jorge Viana (PT-AC). Presidida pelo senador Fernando Collor (PTB-AL), a CI defende uma ação mais proativa do Congresso na solução da crise. O Senado teria, por exemplo, acesso em tempo real aos dados sobre o avanço das obras.

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