Jogar alimento no lixo não pode ser opção

Apesar das inúmeras dificuldades para a captação de alimentos, principalmente em razão do quadro legal, que dificulta ou desestimula os doadores, o país dispõe de projetos exitosos na área. Há 220 bancos de alimentos espalhados pelos estados, atendendo mais de 4 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.

A natureza desses bancos pode ser pública, público-privada ou privada, mas o modo de atuação é muito parecido: servem de intermediários entre parceiros doadores e e entidades de apoio social. Alguns, como o Mesa Brasil, apadrinhado pelo Sesc, também atuam em ações educativas, levando conhecimento aos cozinheiros das instituições de caridade quanto ao aproveitamento integral dos alimentos.

O Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul é uma iniciativa de 15 anos da federação das indústrias do estado em cooperação com entidades da sociedade civil. O projeto também funciona como um laboratório para as universidades, explica o presidente do banco, Paulo Renê. Todos os profissionais de logística e de segurança alimentar são cedidos como voluntários pelas instituições de ensino superior.

O desperdício no consumo, observa Paulo, é permitido e incentivado por lei. “Se for resolvida essa questão, certamente nós teremos resultados muito melhores. Só com o fim da lei que impede o aproveitamento das comidas da indústria de refeições coletivas resolveríamos o problema da fome no Brasil sem gastar um tostão”, assegura.

À la carte

O restaurante popular RefettoRio Gastromotiva, inaugurado no centro do Rio de Janeiro durante os Jogos Olímpicos de 2016, inovou no modo de cozinhar e servir.

Diferentemente dos restaurantes comunitários convencionais, os pratos — entrada, prato principal e sobremesa — são oferecidos à la carte. Todos os alimentos usados na preparação são do tipo “feios”, ou seja, sem valor comercial, por causa da aparência, e acabariam no lixo.

A iniciativa, trazida ao Brasil pelo chef italiano Massimo Bottura, em parceria com a ONG brasileira Gastromotiva, quer chamar a atenção para o enorme desperdício de alimentos no mundo.

Durante os jogos, os chefs internacionais e nacionais que passaram pelo restaurante compartilharam conhecimentos sobre o aproveitamento integral dos ingredientes com 70 jovens moradores de comunidades carentes formados em auxiliares de cozinha.

Após a Olimpíada, o espaço — providenciado pela prefeitura do Rio — foi entregue a esses cozinheiros e continua atendendo gratuitamente a população.

Angelo Dal bó
Refeitório popular inaugurado no Rio durante a Olimpíada: pratos gratuitos destinados a pessoas de baixa renda e treinamento para aproveitamento integral de ingredientes
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