Oposição reage à indicação de Carlos Marun para a relatoria da CPI mista da JBS

Da Redação | 12/09/2017, 19h03 - ATUALIZADO EM 13/09/2017, 08h13

Senadores de diversos partidos criticaram nesta terça-feira (12) a nomeação do deputado Carlos Marum (PMDB-MS) como relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS e J&F. A indicação foi confirmada pelo presidente da CPI mista, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO). Marun é aliado declarado do presidente da República, Michel Temer, gravado em conversas com o empresário Joesley Batista, dono da JBS. Joesley está preso desde sábado na Polícia Federal, em Brasília.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) classificou a CPI mista como “uma farsa”. Ele criticou o fato de Ataídes Oliveira ter participado de um encontro com Temer no último sábado, dias antes da confirmação de Carlos Marun para a relatoria.

— A ida de Vossa Excelência [Ataídes Oliveira] ao Palácio do Jaburu já lhe enfraquece muito do ponto de vista moral. Não há condição nenhuma de um presidente de CPI mista procurar um presidente da República que tem envolvimento no caso. O relator é o testa de ferro do presidente da República na Câmara. Diante desta farsa, desta comissão chapa branca, estou pedindo a retirada do meu nome. Não sou homem para me propor a isso — afirmou.

Otto Alencar abandonou a reunião, e o presidente da CPI classificou a atitude como uma “falta de respeito com os colegas”. Ataídes Oliveira confirmou a ida ao Palácio do Jaburu. Mas disse que foi até lá para tratar da duplicação de um trecho da rodovia BR-163, entre Goiás e Tocantins.

— O presidente, o relator e os subrelatores da CPMI não vão decidir o resultado da comissão. É uma barbaridade quando alguém diz que isso aqui é chapa branca — afirmou Ataídes.

Os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lasier Martins (PSD-RS) também criticaram a indicação de Marun para a relatoria. Para Randolfe, o deputado é “incompatível” com o cargo. Segundo Caiado, a nomeação de Marun faz com que a CPI mista já comece “carimbada”. De acordo com Lasier, o deputado “não era o homem mais adequado” para a função.

— Há suspeições. Vamos ter que estar o tempo todo vigilantes para não resvalar no parcialismo — afirmou Lasier Martins.

Carlos Marun admitiu que sua indicação para a relatoria “desagradou a alguns membros” da CPI. Mas disse que a reação dos parlamentares não lhe causou “nenhum tipo de surpresa”.

— A política tem dois lados e um muro. Eu sou uma pessoa que sempre fiz questão de ter um lado. E posso ter desagradado quem está do outro lado desse muro. O que me repugna é quem fica em cima do muro. Sou completamente independente para o exercício desta função — afirmou Carlos Marun.

O senador Ataídes Oliveira nomeou ainda dois sub-relatores. O deputado Delegado Francischini (SD-PR) tratará de contratos assinados entre a JBS e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já o deputado Hugo Leal (PSB-RJ) tratará dos assuntos fiscais, previdenciários e agropecuários da empresa.

Requerimentos

A CPI mista da JBS e J&F, que teria um encontro nesta quarta-feira (13), só volta a se reunir na terça-feira (19) da próxima semana. O deputado Carlos Marun pediu mais tempo para apresentar um plano de trabalho. A CPI tem 120 dias para apurar irregularidades em operações da JBS com o BNDES, entre 2007 e 2016.

Até a tarde terça-feira, senadores e deputados já haviam apresentado 135 requerimentos. Além de Joesley Batista, os parlamentares querem ouvir Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo J&F, também preso na Polícia Federal em Brasília.

Outros pedidos sugerem a convocação dos ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff; dos ex-ministros da Fazenda Antonio Palocci e Guido Mantega; e dos ex-presidentes do BNDES Luciano Coutuinho e Demian Fiocca. Os parlamentares querem ouvir ainda o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles; e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)