Senadores divergem sobre nomeação de Lula à Casa Civil

Da Redação | 16/03/2016, 20h46 - ATUALIZADO EM 17/03/2016, 10h11

Parlamentares do governo e da oposição comentaram nesta quarta-feira (16), em Plenário, a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff.

Lindbergh Farias (PT-RJ) avaliou que a entrada de Lula no governo vai afastar o perigo de impeachment da presidente Dilma e abrir espaço para a recuperação da articulação política e do contato entre Executivo e Legislativo. Na opinião do senador, ele será o "ministro da esperança" porque ajudará o país na superação da crise política e na recuperação econômica.

Já Ataídes Oliveira (PSDB-TO), classificou como “um tapa na cara dos brasileiros” a nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil. Na sua opinião, Lula é quem realmente manda no governo da presidente Dilma Rousseff desde o começo. O senador também contestou o papel do PMDB e disse esperar que deputados e senadores do partido façam sua parte para que saia rapidamente do governo.

— Não é só o Lula, não é só a Dilma: também é esse grande partido, PMDB, que dá toda a sustentação a este governo imoral, irresponsável e incompetente. Se no sábado passado, na convenção do PMDB, se tivesse decidido que sairia da base desse governo, a presidente Dilma, acredito eu, já teria renunciado. O Lula jamais teria vindo para o governo — opinou.

O senador Jorge Viana (PT-AC) reconheceu que o ex-presidente da República foi nomeado para assumir a Casa Civil devido às dificuldades do governo para enfrentar as crises política e econômica. Para ele, a experiência e liderança de Lula o tornam capaz de iniciar o diálogo necessário para solucionar os problemas do país.

— Quero aqui passar minha confiança de que o presidente Lula vai conseguir, como chefe da Casa Civil, retomar o diálogo com setores da oposição, retomar o diálogo com o Congresso Nacional, fazer aquilo que é a vocação dele: enfrentar e vencer conflitos, fazer o impossível.

Os senadores oposicionistas insistiram no argumento de que a indicação de Lula é uma manobra do governo para afastar o ex-presidente das investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, concedendo-lhe foro privilegiado. Também destacaram a possível perda de poder que a presidente Dilma Rousseff enfrentaria com Lula na Casa Civil.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) rejeitou as afirmações de que o ex-presidente assumiu a Casa Civil para fugir das investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Ela citou juristas que também se opuseram contra esse argumento e afirmam que a posse de Lula não se caracteriza por obstrução da Justiça. Para ela, Lula é a pessoa certa que vai ocupar o lugar certo.

Em aparte à senadora Vanessa Grazziotin, Cristovam Buarque (PPS-DF) chamou a atenção para o que ele chamou de “dupla presidência”.

— Quando a senhora disse que o Brasil está precisando de uma pessoa com experiência, como se ela [Dilma] não tivesse; de uma pessoa com liderança, como se ela não tivesse. Ela foi eleita com 53 milhões de votos. Ela ocupou cargos importantíssimos antes. Agora, o que é grave? Primeiro, é que vai chegar como uma espécie de bipresidencialismo. E tem tudo para não dar certo - afirmou o senador

Já o líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), explicou que, no comando da Casa Civil, Lula vai assessorar a presidente Dilma da mesma maneira que Dilma já assessorou Lula no passado.

— É com esse espírito que Lula vem se integrar ao governo da presidente Dilma. Ele vem imbuído de construir uma unidade nacional em torno de grandes temas, que nos tire desse impasse improdutivo e devolva o Brasil aos trilhos do avanço e do desenvolvimento. Ele vem para dialogar, inclusive com a oposição, ao lado da presidenta Dilma - afirmou.

Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) afirmou que o atual governo está deslocado da realidade e não se comunica mais com a população.

— É como se nós não tivéssemos visto milhões de brasileiros nas ruas no último domingo. Estamos, neste instante, assistindo a algo inédito na política mundial. No mundo inteiro, não se tem notícia de um autogolpe. A presidente Dilma aplicou, em relação ao seu mandato e ao seu governo, um autogolpe. Renunciou, na prática, abdicou, na prática, do exercício pleno de suas prerrogativas de presidente da República — comentou.

Fátima Bezerra (PT-RN), em seu discurso, afirmou que considera Lula um dos maiores estadistas que o país já teve e também o melhor e o maior presidente da República do Brasil.

— A presidente Dilma, ao fazer o convite ao presidente Lula para compor o seu ministério neste momento difícil pelo qual passa o país, está tendo um gesto de grandeza. Assim como também é um gesto de grandeza extraordinário o presidente Lula aceitar esse convite - disse a senadora.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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