Aprovada na CE adoção obrigatória de avaliação seriada em universidades públicas

Da Redação | 15/03/2016, 14h59 - ATUALIZADO EM 15/03/2016, 17h10

Os programas de avaliação seriada, com provas a cada final de ano do ensino médio, podem se tornar modelo de vestibular em todas as universidades públicas do país.  Já utilizado em algumas universidades, como a de Brasília (UnB) e a de Santa Maria (UFSM), esse sistema de seleção é estendido a todas as instituições universitárias oficiais por meio de projeto aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) nesta terça-feira (15).

A proposta (PLS 211/2012), que ainda irá a Plenário para deliberação final, não exclui a utilização de outras formas de processo seletivo para graduação nas instituições federais, como o vestibular tradicional ou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Pelo texto, apenas metade das vagas em disputa deve ser obrigatoriamente ofertada pelo sistema de avaliação seriada. A outra metade fica vinculada aos sistemas já aplicados atualmente.

A proposição tem origem em uma sugestão feita na edição de 2011 do Programa Jovem Senador. O programa seleciona a cada ano, por meio de concurso de redação, 27 jovens — cada um deles representando o Distrito Federal e seu respectivo estado — para participar da experiência de ser senador por alguns dias. A ideia que resultou no projeto foi de Jéssica Renata Gomes Perez, do Mato Grosso do Sul.

O texto inicialmente passou pelo exame da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde foi acolhido e convertido em projeto legislativo. Se aprovado em definitivo, em Plenário, o projeto será encaminhado para análise da Câmara dos Deputados.

Motivação

O relator na CE, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), disse que se sentia duplamente satisfeito com a incumbência de avaliar a proposta. Primeiro, por se tratar de uma iniciativa originária do Programa Jovem Senador, a seu ver uma experiência meritória. Depois, pelo fato de o projeto tratar de modelo de avaliação capaz de motivar a juventude a se engajar nos estudos de modo mais constante.

— Será uma vantagem imensa para a qualidade da educação porque os alunos estudarão para provas que ocorrerão a cada ano. Atualmente, não dão tanta importância nos dois primeiros e, quando chegam ao terceiro ano, correm para um cursinho preparatório — avaliou.

Segundo Cristovam, o ideal seria que o atual Enem adotasse o modelo de avaliação seriada, com provas aplicadas ao fim de cada série do ensino médio. Ele disse que tentou, mas não conseguiu implantar a avaliação seriada na UnB no período em que foi reitor da instituição. Na avaliação seriada, a nota do aluno que valerá para a seleção de aprovados corresponde à média das três provas realizadas ao final de cada ano do ensino médio.

No relatório, Cristovam observa que a avaliação ao fim de cada série, no lugar de uma avaliação única ao término do ensino médio, afere com maior eficácia os alunos aptos a se matricular no ensino superior. Segundo ele, os alunos deixam de “sofrer das inseguranças e pressões advindas do modelo episódico e enciclopédico dos vestibulares tradicionais”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)