Senadores encampam carta pela criação do movimento Parlamentares Sem Fronteiras

Da Redação | 25/01/2016, 13h05 - ATUALIZADO EM 26/01/2016, 20h39

Os senadores brasileiros Wellington Fagundes (PR-MT) e Cristovam Buarque (PDT-DF), respectivamente presidente e vice-presidente da Comissão Senado do Futuro, firmaram no último domingo (24) compromisso para se empenhar pela criação do Movimento "Parlamentares Sem Fronteiras”.

Documento nesse sentido foi assinado - no encerramento do 5º Congresso do Futuro, em Santiago, no Chile - ainda pelo senador chileno Guido Girardi, que preside a Comissão sobre o Futuro do Senado, realizadora do evento.

No texto, os senadores afirmam que é preciso avançar na proposta para fazer frente às ameaças representadas pelas mudanças climáticas e pelas grandes desigualdades sociais. Também ressaltam o fato de a humanidade estar sendo desafiada pelo poder das máquinas e pela inteligência artificial. Observam ainda que os políticos não foram capazes até o momento de dedicar à agenda global de longo prazo o tempo e a atenção que ela exige.

“Portanto, como resultado do 5º Congresso do Futuro, lançamos a ideia de investir, com todos os parlamentares do  mundo, nos esforços para criar um movimento Parlamentares Sem Fronteiras, para o futuro da humanidade e da vida no planeta”, diz o documento.

O movimento será constituído por uma rede de parlamentares e ex-parlamentares ligados por uma agenda global que inclua a proteção do ambiente e a valorização das políticas sociais. O objetivo é que os Parlamentares Sem Fronteiras tenham atuação tanto local quanto internacional, agindo como plataforma para aumentar a conscientização mundial sobre os problemas e soluções que possibilitarão promover o desenvolvimento sustentável e justo.

Com o tema “As decisões de amanhã são agora”, o "Congreso del Futuro" contou com a participação de quatro vencedores do Prêmio Nobel, além de especialistas renomados nas áreas de ciência e tecnologia.

A palestra de encerramento, no domingo, foi feita pelo indiano Kailash Satyarthi, Prêmio Nobel da Paz e apoiador do movimento Parlamentares Sem Fronteiras, cuja ideia foi originalmente lançada ainda no ano passado, em Kathmandu, no Nepal, tendo a princípio como foco principal os direitos das crianças.

Agora, a Carta de Santiago do Chile será encaminhada a todos os Parlamentos no mundo com a intenção de  oficializar o movimento Parlamentares Sem Fronteiras e definir seu campo de atuação em 2017, no 6º Congresso do Futuro.

Mudanças radicais

Para Cristovam Buarque, o evento no Chile deixou claro que as mudanças em curso no planeta neste começo de século estão mudando radicalmente a vida humana. Descobertas científicas e alto desenvolvimento tecnológico, no seu entender, criam um mundo de mais oportunidades, mas também com novas ameaças, que exigirão da humanidade a realização de escolhas. Daí a necessidade de mobilizar globalmente os cidadãos para convidá-los a tomar consciência das mudanças, a entender seus impactos e adicionar a sua voz na definição do futuro.

- Com toda a certeza, valeu a pena estar neste evento no Chile porque foram seis dias importantes, de grandes debates e com uma conclusão fundamental, de criação desse movimento neste momento crucial da humanidade – disse Cristovam, que fez palestra durante o congresso sobre o impacto das novas ferramentas tecnológicas na educação.

Parlamentares chilenos e brasileiros decidiram ainda promover esforços para realizar, em conjunto, um "Seminário do Futuro", a ser promovido pelas comissões do Senado do Futuro dos dois países em data ainda a se definir.

Organizado pelo Senado do Chile, o Congresso do Futuro é considerado a maior reunião científica da América Latina. Além de parlamentares e de centenas de autoridades locais e internacionais, o evento contou com a participação de mais de 25 mil pessoas.

(Com informações da Assessoria do Senador Wellington Fagundes)

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)