Agripino critica política de desenvolvimento dos governos do PT

Da Redação | 23/05/2013, 20h35 - ATUALIZADO EM 02/03/2015, 14h55

O senador José Agripino (DEM-RN) criticou em Plenário nesta quinta-feira (23) a falta de planejamento e de gestão do governo federal para as políticas econômica e de mobilidade urbana no país. O parlamentar defendeu o retorno às teses neoliberais de administração pública, adotadas à época do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como forma de se recolocar o Brasil numa posição competitiva no cenário internacional.

Agripino citou como da falta de planejamento os metrôs construídos nas principais capitais. Segundo ele, a utilização deste meio de transporte é cara, ineficiente e, em muitas capitais, mal consegue sair do papel. O senador registrou que, em cidades como Paris e Nova Iorque, o metrô é a forma mais eficiente de a população se locomover. Além disso, atende a todo tipo de público – da classe E à classe A – porque é oferecida todos “a condição confortável e digna de transportar-se de um ponto ao outro”.

– No Brasil, um país que é governado hoje por um partido que se diz socialista, deveria haver uma prioridade absoluta, ao lado da educação e da saúde, para a capacidade de as pessoas irem e virem rapidamente. Mas metrô, avenidas, corredores de transporte são prioridades 4, 5, 6 ou 7 – reclamou.

Agripino afirmou também que, à época de Fernando Henrique Cardoso, o país caminhava para ser uma das principais economias do mundo. Havia promessa de autossuficiência em petróleo, inflação e contas públicas sob controle, metas cambiais bem estabelecidas e uma “visão clara do que se queria do futuro”, com, por exemplo, implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal e o fortalecimento das agências reguladoras dos serviços públicos.

Tese neoliberal

Com os governos do ex-presidente Lula e da atual presidente Dilma Rousseff, avaliou Agripino, tudo mudou. A inflação ameaça voltar, as indústrias perderam competitividade, a carga tributária é muito alta e o gasto público cresceu consideravelmente, ainda mais se levado em consideração o número de ministérios do governo (39 ao todo).

Na opinião do senador, para se realinhar o país, é preciso voltar às teses neoliberais do antigo governo, o que a gestão da petista já começou a fazer, ainda que “de forma encabulada”.

– Como encabulada? As concessões fazem por etapas, por conta-gotas; fazem errado, depois consertam, conseguem adeptos. É assim que está ocorrendo nas estradas, nos aeroportos, e o Brasil perdendo tempo. Mas estão voltando para as concessões e permissões. Nas rodovias, idem – declarou, citando como exemplo a MP dos Portos (MP 595/2012), aprovada na semana passada pelo Congresso Nacional.

O senador comentou a promessa de autossuficiência em petróleo feita pelo ex-presidente Lula em 2008, que, cinco anos depois, não foi cumprida. Agripino disse que, ao contrário do esperado, a Petrobras passou de patrimônio nacional a empresa desvalorizada, usada como instrumento para contenção da inflação – por conta de, acusou, uma “gestão defeituosa, capenga, incompetente”.

Em aparte, o senador Pedro Taques (PDT-MT) concordou com as críticas de má gestão da Petrobras. Já Wellington Dias (PT-PI) defendeu que a produção brasileira de petróleo atingiu um patamar suficiente para o abastecimento do país, mas não havia capacidade de refino, o que deve ser resolvido com os leilões de novos campos e de novas refinarias.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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