Jarbas Vasconcelos: 'Faxina de Dilma só jogou a sujeira para baixo do tapete'

Da Redação | 31/08/2011, 16h11 - ATUALIZADO EM 20/02/2015, 17h47


Em pronunciamento nesta quarta-feira (31), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) criticou a presidente Dilma Rousseff, por ter, em sua opinião, decidido pelo fim do combate à corrupção sob o argumento de que "não se pode fazer disso uma meta".

Jarbas lembrou ter subido à tribuna, no dia 3 de agosto, para manifestar apoio à "faxina" proposta por Dilma, embora tenha deixado claro à época que manteria posição de independência em relação à sua administração. Ele também comentou o "alarde" que marcou as primeiras demissões no Dnit e lamentou a mudança de posição da presidente.

- A presidente Dilma capitulou, submeteu-se à chantagem de sua base aliada. Sua famosa "faxina" limitou-se a jogar a sujeira para debaixo do tapete - afirmou.

Para o senador, entre as razões que levaram a presidente a rever sua decisão, estaria uma tentativa frustrada de Dilma de "restaurar os princípios republicanos da gestão pública", o que teria levado a uma comparação "constrangedora" entre seu governo e o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O parlamentar apontou ainda como motivo para a mudança de rumo da presidente as dificuldades nas relações com a base de apoio.

- Surge então a questão: a presidente da República realmente acreditava que poderia combater a corrupção sem desagradar seus beneficiários? Foi inocente a ponto de não prever essa forte reação da chamada "base"? Concluo, com pesar que, infelizmente, tudo não passava de um jogo de cena - observou.

A conclusão de Jarbas Vasconcelos é que uma base aliada artificial, "colcha de retalho de interesses conflitantes", não se sustenta sem o "toma-lá-dá-cá" de uma base fisiológica e fragmentada em dezena de partidos.

Na opinião de Jarbas, Dilma não estava preparada para imprimir uma marca de seriedade ao governo, por isso, ao primeiro obstáculo, refugou. Para ele, esse é um governo sem projetos, "que legisla por meio do instrumento espúrio da medida provisória e restringe a sua atuação no Congresso ao único objetivo de inviabilizar matérias". Jarbas também classificou a gestão de Dilma como um governo de continuidade que envelheceu em pouco mais de seis meses.

- Espero que a presidente Dilma Rousseff tenha a compreensão de que deixar uma limpeza pela metade pode ser até pior do que não fazer limpeza nenhuma - disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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