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Programa Pró-Equidade cumpre mais uma ação da 6° Edição

Violência contra o público feminino é tema da primeira aula do curso de Defesa Pessoal para Mulheres

 

Começou nesta segunda-feira (26) a 5ª edição do curso de Defesa Pessoal para Mulheres, o primeiro em parceria com o Instituto Legislativo Brasileiro (ILB). Idealizado pelo policial legislativo Flávio Ferreira em 2013, o curso tem quatro turmas de 12 alunas e lista de espera que varia de 15 a 20 pessoas para cada grupo. Serão oito aulas de duas horas que acontecerão nas próximas cinco semanas, contando com a primeira, que teve apresentações focadas na discussão da violência contra a mulher nos aspectos físico, emocional e patrimonial.
Maria Terezinha Nunes, gestora do Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça do Senado, expôs alguns vídeos com a dramatização de situações de violência contra a mulher que nem sempre são identificadas como tal por envolverem aspectos culturais e emocionais. Ela também abordou a violência institucional, que acontece quando as autoridades que deveriam atuar nos casos de violência contra a mulher não fazem seu papel. A especialista ressaltou que os casos acontecem nos espaços doméstico e público, sendo sempre alvo de questionamentos, além de, em geral, atribuir culpabilidade à vítima.
— Se é um assalto, roubo ou homicídio, não se questiona. Investiga-se. Mas quando se trata de violência contra a mulher, sempre duvidam — lamentou Maria Terezinha.
A policial legislativa Isabela Lisboa relatou alguns casos de violência contra a mulher acontecidos no Senado e também de servidoras que sofreram violência doméstica, destacando que foi possível atuar para a adoção de medidas protetivas às vítimas. Ela avalia que o aumento de registros feitos pelas vítimas nos últimos anos demonstra que elas estão mais encorajadas para denunciar a violência. A servidora também disse que é comum ser procurada na delegacia do Senado por mulheres que não têm certeza se o que estão vivendo é um caso de violência pela ausência de agressão física.
— Elas procuram a mim e à Lívia, outra policial legislativa, dizendo que só querem conversar. E há também dúvidas em casos que envolvem violência entre mulheres que vivem um relacionamento homossexual, mas esclarecemos que a Lei Maria da Penha também é aplicada nessas situações — explica Isabela, que elogia a lei brasileira e seu alcance.
Coordenadora do curso, Maria José Bezerra levantou situações que foram levadas em conta para oferecer o curso às servidoras, terceirizadas e estagiárias da Casa, como a vulnerabilidade do sexo feminino, a cultura de violência atual e a menor força física das mulheres – com exceção das que treinam luta marcial regularmente. Ela enfatizou que a parceria com o ILB abriu a possibilidade para a participação de instrutores de fora da Polícia do Senado, como o servidor João Rios, faixa preta de caratê.
A servidora também narrou a história de violência sofrida por meio de um assédio em seu primeiro local de trabalho, a Aeronáutica, no Rio Grande do Norte, e em Brasília, com o ex-marido. O relato encorajou outras duas participantes do curso a falarem sobre suas experiências de violência e motivou a sugestão para criação de um espaço de conversa sobre o tema.
Idealizador
No Senado desde 2012, o policial legislativo Flávio Ferreira ressaltou que o curso é focado em técnicas a serem bem empregadas pelas mulheres, utilizando ainda o fator surpresa contra o agressor, que sempre vê as vítimas como presas fáceis. Ele disse que a primeira edição do curso trabalhava apenas sob o prisma da violência urbana, mas ao longo dos anos os instrutores perceberam que as mulheres também precisavam paralisar os ataques de violência doméstica.
O servidor disse que, juntamente com João Rios, Francisco Mancini e Fernando Gomes, irá explicar às mulheres o que fazer em casos de ameaça física utilizando uma mistura de lutas de aiquidô, caratê e luta livre. Ele enfatizou, no entanto, que serão enumerados comportamentos para evitar situações de risco. Para João Rios, o curso é uma oportunidade para a reflexão  sobre o que ele chamou de assédio institucional.
— Vivemos algo tão sério que não nos damos conta, por exemplo, de que o certo não seria criar vagões em trens e metrôs para evitar o assédio às mulheres e sim corrigir os homens — observou Rios.

 

Fonte: Comunicação Interna do Senado Federal